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📖 O Dia em que Enterrei Meu Casamento

O Dossiê Secreto

567 words

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O silêncio que se seguiu à ligação foi ensurdecedor. Isabel ainda segurava o celular, os olhos fixos na tela escura, como se pudesse trazer Téo de volta com a força do olhar. Felipe a envolveu em um abraço, e ela se permitiu chorar, as lágrimas quentes molhando a camisa dele. Quando as lágrimas secaram, uma determinação fria tomou conta dela. "Ele está vivo", disse, a voz firme. "E eu vou encontrá-lo." Felipe a olhou, os olhos verdes cheios de admiração e preocupação. "E vamos. Mas precisamos de algo mais do que esperança." Ele se levantou, pegou o casaco. "Vou ao escritório do meu pai. Ele guardava arquivos antigos de casos que julgou. Talvez haja algo sobre a família Almeida." Isabel o observou, sentindo um misto de gratidão e medo. "Tem certeza?" Ele sorriu, um sorriso triste. "Por você, eu enfrento o inferno." Três dias depois, o apartamento de Isabel estava tomado por papéis. Felipe tinha trazido uma caixa empoeirada do escritório do pai, cheia de processos antigos. Eles vasculharam juntos, a tensão palpável. "Achei", Felipe anunciou, segurando um dossiê grosso. Isabel se aproximou, o coração acelerado. O dossiê era sobre o divórcio dos pais de Ricardo. Enquanto liam, a verdade surgia: Dr. Almeida, o pai de Ricardo, havia forjado documentos para esconder bens da ex-mulher, e o juiz da época, que era amigo da família, havia sido cúmplice. Isabel sentiu um misto de nojo e excitação. "Isso é ouro", sussurrou. "Com isso, podemos desmascarar Dr. Almeida publicamente." Felipe a olhou, os olhos sombrios. "Isabel, se usarmos isso, estaremos declarando guerra total à família Almeida. Eles têm poder, dinheiro, influência. As retaliações podem ser fatais." Isabel hesitou, a imagem de Téo amarrado em um cativeiro escuro passando pela mente. Ela respirou fundo. "Eu não posso recuar, Felipe. Não depois de tudo o que fizeram comigo, com Téo. Eu quero justiça completa, mesmo com os riscos." Felipe a estudou por um longo momento, então assentiu lentamente. "Então vamos fazer isso juntos." Ele estendeu a mão, e ela a apertou, sentindo uma aliança sólida se formar entre eles. Naquela noite, eles trabalharam lado a lado, cruzando referências, anotando datas, construindo um caso. A cada descoberta, a confiança entre eles crescia. Isabel se pegava olhando para Felipe, admirando a inteligência dele, a dedicação. Ele parecia sentir o olhar dela e erguia os olhos, um sorriso nos lábios. "O que foi?" "Nada", ela respondia, corando. Mas era algo. Era a sensação de não estar mais sozinha, de ter um parceiro de verdade. Quando finalmente pararam para um café, a madrugada já ia alta, Isabel se sentiu vulnerável. "Felipe, e se a gente falhar?" Ele pegou a mão dela, os dedos entrelaçando. "Então falharemos juntos. Mas eu não pretendo falhar." Ela sorriu, sentindo uma onda de carinho. "Obrigada por acreditar em mim." Ele a puxou para um abraço, e ela se aninhou nele, sentindo o cansaço e a esperança se misturarem. Naquele momento, ela soube que, não importava o que acontecesse, ela tinha encontrado alguém que valia a pena lutar. De repente, o celular de Felipe vibrou. Ele se afastou para atender, o rosto sério. Isabel observou, o coração apertado. Ele olhou para a tela, os olhos arregalados, e leu a mensagem em voz alta, a voz embargada. Felipe recebe uma mensagem de um contato anônimo: 'Se querem saber onde está o cachorro, encontrem-me no Mercado Municipal à meia-noite'.
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