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📖 O Dia em que Enterrei Meu Casamento

O Apoio Inesperado

765 words

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Isabel fechou a porta do apartamento e encostou a testa na madeira fria. A vitória no fórum ainda ecoava em sua mente, mas o peso do extrato bancário que Felipe lhe mostrara parecia ter se instalado em seus ombros. Ela respirou fundo, tentando conter o tremor nas mãos. A imagem dos números naquele papel dançava diante de seus olhos, e uma onda de ansiedade subiu pelo seu peito. Ela precisava de um momento, de um espaço para processar tudo. Mas o silêncio do apartamento a engoliu, e as paredes pareceram se fechar ao seu redor. Isabel sentiu o coração disparar, e as lágrimas ameaçaram escorrer. Ela não sabia se era medo, alívio ou exaustão. Tudo o que sabia é que precisava de alguém. Alguém que a entendesse sem julgamentos. Alguém que a conhecesse desde antes de todo esse pesadelo. Com dedos trêmulos, ela pegou o telefone e procurou o contato que não usava há anos: Dona Lourdes. Dona Lourdes chegou com uma sacola de pano, da qual tirou um punhado de ervas e uma garrafa térmica. 'Sentei, menina. Vou fazer um chá pra acalmar esses nervos.', disse ela, com a voz firme, mas os olhos cheios de compaixão. Enquanto a água fervia na pequena cozinha, Isabel desabou no sofá, as mãos cobrindo o rosto. 'Eu não sei se consigo, Dona Lourdes. É tanta coisa...', murmurou. A rezadeira se aproximou, sentou ao seu lado e pegou suas mãos. 'Você é forte, Isabel. Sempre foi. Lembro da sua mãe, Dona Célia. Ela também passou por coisa difícil com seu pai, mas nunca desistiu. Você tem a mesma garra dela.', disse, com um sorriso que suavizou as rugas do rosto. Isabel ergueu os olhos, surpresa. 'Minha mãe? Ela nunca me contou...', respondeu, a voz embargada. Dona Lourdes suspirou. 'Ela guardava isso pra si, mas eu vi. Vi ela lutar, se humilhar, mas nunca se quebrar. E você é igual. Você vai dar a volta por cima, mas precisa acreditar em si mesma.', Isabel balançou a cabeça, as lágrimas finalmente escorrendo. 'Eu tenho medo, Dona Lourdes. Medo de não ser suficiente. Medo de perder tudo de novo.', A rezadeira a puxou para um abraço apertado. 'Medo é normal, mas você não pode deixar ele te paralisar. Você já deu o primeiro passo. Agora, continue. E lembre-se: você não está sozinha. Tem gente do seu lado, e tem Deus olhando por você.', Isabel chorou em silêncio, sentindo o calor do abraço e o cheiro de alfazema que emanava da mulher. Quando se afastou, enxugou o rosto e respirou fundo. 'Obrigada, Dona Lourdes. Eu precisava ouvir isso.', A rezadeira serviu o chá e ficou em silêncio enquanto Isabel bebericava. Aos poucos, a ansiedade foi diminuindo, e uma sensação de paz, ainda que frágil, começou a se instalar. Isabel se permitiu ficar em silêncio, saboreando o chá e a presença acolhedora de Dona Lourdes. A conversa sobre sua mãe trouxe à tona memórias que ela havia enterrado: a resiliência de Dona Célia, as noites em que ela chorava escondida, mas nunca deixava de lutar. Isabel percebeu que carregava essa força dentro de si, mesmo que tivesse esquecido. 'Eu sempre achei que precisava ser perfeita para ser amada.', confessou, a voz baixa. Dona Lourdes a olhou com ternura. 'Perfeição não existe, menina. O que existe é coragem de ser quem você é. E você está descobrindo isso agora.', Isabel sorriu, um sorriso pequeno, mas verdadeiro. Pela primeira vez em meses, ela sentiu que não estava sozinha. A conexão com Dona Lourdes, com suas raízes, com sua história, a ancorou. Ela se sentiu mais forte, pronta para enfrentar o que viesse. Quando ouviu a campainha, Isabel se sobressaltou. Dona Lourdes se levantou, tranquila. 'Deve ser seu advogado. Eu vou indo, mas qualquer coisa, me liga.', Ela a beijou na testa e saiu, deixando um rastro de paz. Isabel abriu a porta e encontrou Felipe, com o semblante sério. Ele entrou, e ela percebeu que algo estava errado. 'O que houve?', perguntou, o coração acelerando. Felipe a conduziu até o sofá e se sentou ao seu lado. 'Isabel, o pai do Ricardo, o Dr. Almeida, está tentando anular a liminar.', disse ele, com a voz carregada de preocupação. Isabel sentiu o chão se abrir sob seus pés. A notícia de que o patriarca da família Almeida estava agindo para derrubar a liminar era um golpe duro. Ela olhou para Felipe, buscando forças naqueles olhos verdes que agora refletiam sua própria apreensão. Felipe chega ao apartamento e encontra Isabel mais calma; ele revela que o pai de Ricardo, Dr. Almeida, está tentando anular a liminar.
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