📖 O Dia em que Enterrei Meu Casamento
A Primeira Consulta
Isabel saiu do prédio com o coração acelerado, ainda sentindo o peso do olhar de Bárbara. As palavras dela ecoavam na cabeça: 'Você acha que vai conseguir o quê?' Mas ela não podia deixar aquilo abalá-la. Tinha uma consulta com o Dr. Felipe Costa na Faria Lima, e precisava chegar lá inteira.
No caminho, lembrou-se do sorriso confiante dele e da promessa de que ela tinha direitos. Respirou fundo, entrou no carro e ligou o motor. O trânsito paulistano era um caos, mas ela estava determinada. Ao estacionar em frente ao prédio comercial, olhou para o próprio reflexo no retrovisor: os olhos castanhos ainda marejados, mas com um brilho novo.
Ela não era mais a esposa submissa. Era uma mulher pronta para lutar. No escritório, Felipe a recebeu com um aperto de mão firme. 'Sente-se, dona Isabel.
Me conte tudo desde o começo.' Ela sentou-se à frente da mesa imponente, colocou a pasta sobre o tampo de vidro e começou a narrar. Contou sobre as mensagens no celular de Ricardo, sobre a ameaça de que ela não levaria nada, sobre os anos de humilhação e controle. Felipe ouviu atento, fazendo anotações em um bloco. Quando ela terminou, ele a olhou com seriedade.
'Você tem provas concretas, e isso é um bom começo. Mas precisamos agir rápido, antes que ele oculte mais bens.' Isabel franziu a testa. 'O que você quer dizer com ocultar bens?' Felipe explicou que Ricardo poderia transferir propriedades para laranjas ou abrir empresas no exterior. 'Sem acesso aos extratos bancários e documentos da empresa, será difícil provar a ocultação.' Isabel sentiu o chão se abrir.
'Mas eu tenho o celular dele, com as mensagens.' Felipe balançou a cabeça. 'Isso é prova de adultério, não de ocultação. Precisamos de mais.' Ela mordeu o lábio, pensando. 'Eu tenho alguns documentos em casa, mas ele pode ter mudado as senhas.' Felipe a encarou.
'Então vamos ter que ser mais espertos que ele. Você está disposta a isso?' Isabel ergueu o queixo. 'Estou. Ele me subestimou a vida inteira.' Felipe sorriu, um sorriso que não chegava aos olhos.
'Então vamos começar. Mas preciso te alertar: Ricardo é perigoso. Ele tem conexões.' Isabel sentiu um arrepio, mas não recuou. 'Eu sei.
Mas eu não tenho mais nada a perder.' Felipe a observou por um longo momento, como se avaliasse sua determinação. Então, ele se levantou e foi até a janela, de costas para ela. 'Eu vou aceitar seu caso, dona Isabel. Mas preciso que você saiba que tenho motivos pessoais para ajudar.' Isabel estranhou.
'O que quer dizer?' Ele se virou, os olhos verdes fixos nela. 'Conheço a família Almeida há muito tempo. E não é uma boa lembrança.' Isabel sentiu uma conexão inesperada. 'Você também sofreu com eles?' Felipe não respondeu diretamente.
'Digamos que tenho minhas razões. Mas isso não muda o fato de que você tem um caso forte. Com as provas que temos, podemos pelo menos garantir que você não saia sem nada.' Isabel sentiu um alívio imenso, como se um peso tivesse sido tirado de seus ombros. 'Obrigada, doutor.
Eu não sei o que teria feito sem sua ajuda.' Felipe sorriu, um sorriso mais caloroso. 'Pode me chamar de Felipe. E não precisa agradecer. É meu trabalho.' Ele estendeu a mão, e ela a apertou.
Naquele contato, Isabel sentiu uma faísca, algo que não sentia há anos. Ela se despediu, prometendo enviar os documentos que tinha. Ao sair, sentia-se mais forte. Mas também sabia que a guerra estava apenas começando.
Quando Isabel já estava na porta, Felipe a chamou. 'Só mais uma coisa.' Ela se virou, curiosa. Ele hesitou, como se pesasse as palavras. 'Você sabe que eu sou filho do juiz que presidiu o divórcio dos seus pais, não sabe?' Isabel arregalou os olhos.
'O quê?' Felipe suspirou. 'É uma longa história. Mas quero que saiba que isso não é uma coincidência.' Felipe revela que conhece a família Almeida e que tem motivos pessoais para ajudá-la, mas não entra em detalhes.






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