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📖 O Dia em que Enterrei Meu Casamento

Provas Escondidas

819 words

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Felipe ligou para Isabel assim que terminou de analisar o celular de Ricardo. A voz dele, normalmente firme, agora soava tensa. "Isabel, preciso que você vá até o apartamento agora. Encontrei transferências suspeitas para uma conta nas Ilhas Cayman. Mas preciso de mais documentos para confirmar. Você sabe onde ele guarda os arquivos financeiros?" Isabel sentiu o coração disparar. Ela conhecia cada canto daquele apartamento, cada gaveta, cada esconderijo. Ricardo nunca imaginou que ela prestasse atenção. "Sei sim", respondeu, a voz firme apesar do medo. "Ele usa o computador do escritório em casa. A senha é a data de aniversário da mãe dele." Felipe anotou. "Vá agora. Eu fico na linha. Mas cuidado, ele pode estar aí." Isabel desligou e olhou para o relógio: 2h47 da madrugada. Ricardo estava em casa, dormindo no quarto principal. Ela sabia que tinha que ser rápida e silenciosa. Isabel vestiu um moletom escuro e calças de algodão, os pés descalços para não fazer barulho. O corredor estava escuro, apenas a luz do corredor do banheiro acesa. Ela passou pela porta do quarto, ouvindo o ronco pesado de Ricardo. Parou por um segundo, o coração batendo tão alto que parecia ecoar. Respirou fundo e continuou até o escritório, no fim do corredor. A porta rangeu levemente ao abrir. Ela entrou e fechou atrás de si, acendendo o abajur da mesa. O computador estava lá, como sempre. Sentou-se na cadeira de couro, sentindo o cheiro do perfume caro de Ricardo. Digitou a senha: 14031975. A tela acendeu. Ela navegou até a pasta 'Financeiro', que continha subpastas com nomes de empresas. Clicou em 'Offshore' e encontrou uma lista de contas e transferências. O coração acelerou. Ela pegou o pen drive que havia escondido no sutiã e conectou. Enquanto os arquivos copiavam, ela ouviu um barulho. Congelou. Passos no corredor. Ricardo estava acordando. Isabel olhou em volta, desesperada. Não havia tempo de desligar o computador. Ela se escondeu atrás da porta, no vão do armário embutido, puxando a porta para si. O coração batia tão forte que ela tinha certeza de que ele ouviria. Ricardo entrou, os olhos ainda sonolentos. Ele foi direto à mesa, mexeu em alguns papéis, resmungou algo sobre 'maldita insônia' e saiu, deixando a porta aberta. Isabel esperou, contando os segundos. Quando o ronco recomeçou, ela saiu do armário, as pernas trêmulas. O pen drive ainda estava conectado, a cópia quase completa. Ela esperou mais um pouco, rezando para que terminasse logo. Finalmente, a luz verde piscou. Ela removeu o pen drive, desligou o computador e saiu do escritório, fechando a porta atrás de si. No corredor, parou para recuperar o fôlego. Sentia o gosto de ferro na boca, o corpo coberto de suor frio. Ela voltou para o quarto de hóspedes, onde estava dormindo, e escondeu o pen drive no fundo de uma caixa de sapatos. Só então permitiu-se chorar, em silêncio, o alívio e o medo se misturando. Isabel ficou sentada na cama, abraçando os joelhos, tentando controlar a respiração. Ela pensou em Felipe, na voz calma dele ao telefone, na promessa de que ela não estava sozinha. Pela primeira vez em anos, sentiu que alguém estava do seu lado. Mas também sentiu medo por ele. Ricardo era capaz de tudo. Ela lembrou das ameaças veladas, dos 'amigos' que ele tinha, das histórias de negócios escusos. Se Ricardo descobrisse que Felipe estava ajudando, o que ele faria? Ela não conseguia suportar a ideia de colocar outra pessoa em risco. Mas também sabia que não podia recuar. Ela tinha as provas, finalmente. Levantou-se e foi até a janela, olhando para a rua silenciosa. A cidade dormia, mas ela estava mais acordada do que nunca. Sentia uma mistura estranha de poder e vulnerabilidade. Ela tinha em mãos o que poderia destruir Ricardo, mas também sabia que ele não hesitaria em destruí-la. Naquele momento, decidiu que não importava o custo. Ela iria até o fim. Voltou para a cama, mas não conseguiu dormir. Ficou ali, ouvindo os sons da casa, o ronco de Ricardo, o tique-taque do relógio. Cada minuto parecia uma hora. Ela precisava sair dali, mas não podia levantar suspeitas. Ficou imóvel, esperando o amanhecer chegar. Quando o sol começou a clarear o céu, Isabel decidiu que era hora de ir. Ela tomou um banho rápido, vestiu roupas comuns e pegou a bolsa. Antes de sair, passou pelo escritório para verificar se não havia deixado nada. Tudo parecia no lugar. Ela desceu as escadas, a bolsa a tiracolo, o pen drive escondido no forro. Ao passar pela sala, ouviu a voz de Ricardo ao telefone. Ele estava no terraço, falando baixo, mas a manhã estava silenciosa. Isabel parou, escondida atrás da porta da cozinha. "Pode deixar que eu dou um jeito no advogado dela. Ele não vai atrapalhar meus planos." Ao sair do escritório, Isabel ouve Ricardo falando ao telefone sobre 'dar um jeito' no advogado dela.
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