📖 O Dia em que Enterrei Meu Casamento
A Liminar
Isabel ainda segurava o envelope anônimo, as fotos de Ricardo e Bárbara em uma das mãos e o bilhete na outra. O papel parecia queimar sua pele, mas ela não conseguia soltá-lo. Felipe, ao lado dela, examinava as imagens com atenção, o cenho franzido. Ele ergueu os olhos e a encarou, a voz firme: 'Isabel, precisamos agir rápido.
Se Ricardo está transferindo bens, podemos perder tudo.' Ela assentiu, engolindo o nó na garganta. A esperança que sentira minutos antes se misturava ao medo. 'O que você sugere?' perguntou, tentando manter a calma. Felipe guardou as fotos no bolso do paletó e pegou o celular.
'Vou protocolar um pedido de liminar agora mesmo. Precisamos impedir que ele mexa em qualquer coisa até o divórcio ser resolvido.' Isabel olhou para o bilhete mais uma vez, as palavras 'Você não está sozinha' ecoando em sua mente. Quem teria enviado? E por quê?
Ela não sabia, mas naquele momento, a prioridade era outra. 'Vamos', disse ela, decidida. Felipe a conduziu para fora do escritório, e eles seguiram para o Fórum de São Paulo. O Fórum estava agitado naquela tarde, com advogados e clientes circulando pelos corredores.
Isabel sentia o coração acelerar a cada passo. Felipe a guiou até a sala de audiências, onde o juiz Dr. Antônio Carlos, um homem de meia-idade com olhar cansado, já aguardava. O advogado de Ricardo, Dr.
Sérgio, estava lá, com um sorriso confiante. 'Dr. Costa, que surpresa. Não sabia que a senhora Oliveira havia contratado um advogado tão...
renomado', disse ele, com ironia. Felipe não respondeu, apenas entregou ao juiz o pedido de liminar e o pen drive com as provas. 'Excelência, temos evidências de que o réu está ocultando ativos e transferindo bens do casal para empresas de fachada. Pedimos urgência na concessão da medida para evitar danos irreparáveis.' O juiz analisou os documentos em silêncio, enquanto Isabel observava cada movimento.
Dr. Sérgio tentou argumentar: 'Excelência, essas acusações são infundadas. Meu cliente é um empresário respeitado.' Mas o juiz ergueu a mão, pedindo silêncio. 'As provas são contundentes.
Concedo a liminar. Fica proibida qualquer transferência de bens ou movimentação financeira das contas do casal até nova decisão.' Isabel sentiu um alívio imenso, mas também um frio na espinha. Ela olhou para Felipe, que esboçou um sorriso discreto. Ao saírem da sala, seu celular vibrou.
Era uma mensagem de Ricardo: 'Você vai pagar por isso, sua ingrata. Pense na sua mãe.' Isabel leu e sentiu o sangue gelar. Ela mostrou o telefone a Felipe, que franziu a testa. 'Isso é uma ameaça.
Vamos registrar um boletim de ocorrência.' Mas Isabel balançou a cabeça. 'Não. Isso só vai piorar as coisas. Por enquanto, vamos nos concentrar no processo.' Ela guardou o celular, mas a ameaça ecoava em sua mente.
No corredor do Fórum, Isabel sentiu as pernas fraquejarem. A adrenalina da audiência passou, e a realidade da ameaça de Ricardo a atingiu em cheio. Ela se apoiou na parede, fechando os olhos por um instante. Felipe, percebendo seu estado, colocou a mão em seu ombro.
'Isabel, você está bem?' Ela abriu os olhos e o encarou, vendo a preocupação estampada em seu rosto. 'Estou... só foi um susto. Mas não posso deixar que ele me intimide.
Não depois de tudo o que fiz para chegar até aqui.' Felipe apertou levemente seu ombro, transmitindo confiança. 'Você é mais forte do que imagina. E não está sozinha. Eu estou com você, e vamos vencer.' Isabel sentiu um calor no peito, uma conexão que ia além do profissional.
Ela segurou a mão dele por um segundo, agradecida. 'Obrigada, Felipe. Por tudo.' Ele sorriu, e por um momento, o mundo ao redor pareceu desaparecer. Mas logo a realidade voltou, e eles se afastaram, mantendo a compostura.
Isabel respirou fundo, sentindo uma vitória agridoce. Pela primeira vez, ela tinha poder sobre Ricardo, mas também sabia que ele não desistiria facilmente. 'O que fazemos agora?' perguntou ela. Felipe olhou para o relógio.
'Precisamos analisar os próximos passos. Mas antes, quero te mostrar uma coisa.' Ele a levou para um canto mais reservado e tirou um extrato bancário do bolso. 'Isso chegou pelo correio hoje. É de uma conta que Ricardo usa para desviar dinheiro da empresa há anos.
Isso configura crime.', finalizou ele, com um brilho nos olhos. Isabel olhou para o extrato, as cifras dançando diante de seus olhos. Ela não entendia todos os detalhes, mas sabia que aquilo era a chave para derrubar Ricardo. 'Isso pode ser usado contra ele?', perguntou ela, a voz trêmula.
Felipe assentiu, sério. Felipe mostra a Isabel um extrato bancário que comprova que Ricardo desvia dinheiro da empresa há anos, sugerindo que isso pode configurar crime.






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