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📖 O Dia em que Enterrei Meu Casamento

Boatos no Escritório

683 words

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A manhã no escritório de Felipe era um formigueiro de olhares e cochichos. Isabel percebeu que sua presença causava um burburinho incomum. As recepcionistas, os estagiários, até a secretária de Felipe – todos pareciam saber de algo que ela não sabia. Ela se aproximou da recepção, tentando manter a compostura, mas cada sussurro parecia uma facada. Uma jovem advogada, que Isabel reconhecia de vista, passou por ela e murmurou: 'É ela, a interesseira.' Isabel sentiu o sangue ferver, mas respirou fundo. Ela não ia se deixar abalar por boatos. Precisava falar com Felipe. Isabel entrou no escritório de Felipe, fechando a porta atrás de si. Ele estava ao telefone, mas ao vê-la, desligou rapidamente. 'Isabel, que bom que você veio. Sente-se.' Ela não se sentou. 'Felipe, o que está acontecendo? Todo mundo está me olhando como se eu fosse uma criminosa.' Felipe suspirou, passando a mão pelos cabelos. 'Sente-se, por favor. Precisamos conversar.' Isabel obedeceu, mas com o corpo tenso. 'Eu soube que há boatos circulando sobre você no meio jurídico. Dizem que você é interesseira, que está tentando arrancar dinheiro do Ricardo, que você é instável.' Isabel sentiu o chão se abrir. 'Isso é mentira! Ele está fazendo isso, não está? Plantando essas mentiras para me desacreditar.' Felipe assentiu. 'Provavelmente. Mas a questão é: se a gente reagir publicamente, pode parecer que estamos tentando esconder algo. A estratégia é não dar munição para eles.' Isabel se levantou, furiosa. 'Não dar munição? Felipe, minha reputação está sendo destruída! Eu preciso que você me defenda, que diga a verdade!' Felipe também se levantou, tentando acalmá-la. 'Eu entendo, Isabel. Mas se eu sair defendendo você agora, isso pode prejudicar o caso. Os boatos são uma estratégia para te tirar do sério, para fazer você agir por impulso. Se a gente ignorar, eles perdem a força.' Isabel sentiu uma onda de traição. 'Você está me pedindo para ficar calada enquanto me chamam de interesseira?' Felipe se aproximou, com o olhar suplicante. 'Não é isso. Eu só quero proteger você e o nosso caso. Confia em mim.' Isabel desviou o olhar, sentindo-se impotente. 'Eu não sei se posso confiar em você, Felipe. Você parece mais preocupado com a estratégia do que comigo.' O silêncio entre eles era pesado. Isabel olhava para a janela, vendo o movimento da avenida Paulista, sentindo-se pequena e exposta. Felipe quebrou o silêncio, com a voz mais suave. 'Isabel, eu sei que isso é difícil. Mas eu estou do seu lado. Eu não vou deixar que eles destruam você.' Ela se virou para ele, com os olhos marejados. 'Como você pode garantir isso? Eles têm poder, dinheiro, influência. Eu sou só uma dona de casa que resolveu lutar.' Felipe segurou as mãos dela, olhando nos seus olhos. 'Você é muito mais do que isso. Você é forte, inteligente, corajosa. E você não está sozinha. Eu estou com você, e vamos vencer.' Isabel sentiu um calor no peito, uma esperança que ela não sentia há dias. Ela apertou as mãos dele, agradecida. Naquele momento, uma colega de Felipe, a Dra. Renata, entrou sem bater, com um envelope na mão. 'Desculpa interromper, Felipe. Mas chegou isso para a Isabel. É anônimo.' Ela entregou o envelope e saiu. Isabel olhou para o envelope, o coração acelerado. Ela abriu, encontrando fotos de Ricardo e Bárbara juntos em um restaurante, e um bilhete escrito à mão: 'Você não está sozinha.' Isabel olhou para Felipe, confusa. 'Quem será que mandou isso?' Felipe pegou as fotos, examinando-as. 'Não sei. Mas isso pode ser uma pista importante. Alguém está do seu lado, Isabel.' Isabel segurava as fotos e o bilhete, sentindo uma mistura de esperança e desconfiança. Quem teria enviado? E por quê? Ela olhou para Felipe, que também parecia intrigado. A porta do escritório estava entreaberta, e os sussurros do lado de fora continuavam. Mas, naquele momento, o que importava era aquela mensagem misteriosa. Isabel leu o bilhete mais uma vez, as palavras ecoando em sua mente: 'Você não está sozinha.' Isabel abre o envelope e lê o bilhete, sem saber quem o enviou.
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