📖 O Dia em que Enterrei Meu Casamento
A Ameaça Pública
A mensagem anônima ecoava na mente de Isabel como um sino de alerta. Ela olhou para Felipe, os olhos dele refletindo a mesma preocupação. O Mercado Municipal à meia-noite... parecia um convite para uma armadilha, mas também a única pista concreta sobre Téo.
Isabel respirou fundo, sentindo o peso da decisão. "Não podemos ignorar", disse ela, a voz firme apesar do tremor interno. Felipe concordou, mas sugeriu que fossem preparados. Eles passaram a tarde reunindo informações, verificando câmeras de segurança próximas ao mercado, e traçando rotas de fuga.
Isabel vestiu roupas discretas, escondendo o celular no sutiã e uma caneta esferográfica que poderia servir de arma improvisada. Ao anoitecer, eles partiram, o silêncio no carro mais ensurdecedor do que qualquer palavra. Chegaram ao mercado com trinta minutos de antecedência, observando cada movimento, cada sombra. Mas o contato não apareceu.
O relógio marcou meia-noite, e nada. A frustração crescia quando o celular de Isabel vibrou: era uma ligação de Dr. Almeida, o advogado de Ricardo. Ele marcou uma reunião imediata em seu escritório, no centro de São Paulo.
Isabel sentiu o estômago embrulhar, mas sabia que não podia recuar. No escritório de Dr. Almeida, o ar condicionado gelado contrastava com o calor da tensão. O advogado, um homem de meia-idade com terno impecável, os recebeu com um sorriso calculado.
"Isabel, que bom que veio. Felipe, não esperava vê-lo aqui", disse ele, sentando-se atrás de uma imponente mesa de mogno. Isabel permaneceu de pé, ao lado de Felipe, que mantinha uma expressão neutra. "Vamos direto ao ponto", começou Dr.
Almeida, abrindo uma pasta. "Ricardo está disposto a encerrar essa disputa de forma amigável. Ele oferece uma quantia significativa, suficiente para você recomeçar a vida, e a devolução do cachorro." Isabel sentiu o sangue ferver. "Téo não é um objeto de barganha", respondeu, a voz cortante.
"E não estou interessada em dinheiro. Quero justiça." Dr. Almeida riu, um som seco. "Justiça?
Querida, você não tem ideia do poder que a família Almeida possui. Se você não aceitar, Téo... bem, vamos apenas dizer que ele pode sofrer um acidente." A ameaça pairou no ar, e Isabel sentiu um frio na espinha. Ela olhou para Felipe, que apertou sua mão sob a mesa, transmitindo força.
"Não vou me vender", disse Isabel, com uma determinação que surpreendeu até a si mesma. "E vou lutar até o fim." Dr. Almeida ergueu uma sobrancelha, o sorriso desaparecendo. "Você está cometendo um grande erro, Isabel.
Mas a escolha é sua." Ele se levantou, indicando que a reunião havia terminado. Isabel e Felipe saíram, o coração de Isabel batendo acelerado, mas uma estranha calma tomando conta dela. Ela havia enfrentado o inimigo e não havia recuado. No corredor do escritório, Isabel sentiu as pernas fraquejarem.
Felipe a amparou, segurando-a pelos ombros. "Você foi incrível", sussurrou ele, os olhos verdes encontrando os dela. Isabel respirou fundo, sentindo o calor das mãos dele através da blusa. "Eu não poderia ter feito isso sem você", respondeu ela, a voz embargada.
Naquele momento, a confiança entre eles se solidificou como concreto. Felipe a puxou para um abraço apertado, e Isabel se permitiu sentir-se protegida, mesmo sabendo que a batalha estava longe de acabar. "Vamos sair daqui", disse ele, soltando-a com relutância. Enquanto caminhavam em direção ao elevador, Isabel percebeu que não estava mais sozinha.
A parceria com Felipe era mais do que profissional; era uma aliança forjada no fogo da adversidade. Ela sorriu para ele, um sorriso genuíno, e ele retribuiu. "Obrigada por acreditar em mim", disse ela. "Sempre", respondeu ele, apertando sua mão.
Ao saírem do prédio, a luz do sol da tarde os atingiu, e Isabel sentiu um renovado senso de propósito. Ela não sabia o que o futuro reservava, mas sabia que, com Felipe ao seu lado, poderia enfrentar qualquer coisa. Eles estavam prestes a entrar no carro quando uma voz os chamou. Um homem de meia-idade, com um bloco de notas na mão, aproximou-se.
"Isabel Oliveira? Felipe Costa?", perguntou ele, com um sotaque carregado. Isabel franziu a testa, cautelosa. "Quem é você?", indagou.
O homem sorriu, mostrando um crachá de jornalista. "Meu nome é Carlos, do Jornal da Cidade. Tenho informações sobre o caso de vocês e quero publicar a história." Ao sair da reunião, Isabel e Felipe são abordados por um jornalista que diz ter informações sobre o caso e quer publicar a história.






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