📖 O Dia em que Enterrei Meu Casamento
Intimidação
A noite foi um turbilhão de pensamentos e planos. Isabel mal dormiu, revirando na cama enquanto a imagem de Téo amarrado queimava em sua mente. Ao amanhecer, ela tomou um café amargo e vestiu uma roupa simples, pronta para enfrentar o que viesse. Felipe chegou pontualmente, com o olhar cansado, mas determinado.
"Você não precisa ir sozinha", disse ele, segurando a porta do carro. Isabel respirou fundo. "Eu sei. Mas preciso fazer isso.
Não vou deixar que eles pensem que me venceram." O trajeto até a delegacia foi silencioso, cada um perdido em seus próprios pensamentos. O sol da tarde já castigava quando estacionaram em frente ao prédio cinza e impessoal. Isabel sentiu o estômago embrulhar, mas ergueu a cabeça. Ela não seria mais a esposa submissa que todos conheciam.
A delegacia era um lugar frio, com paredes descascadas e um cheiro de mofo. O delegado, um homem de meia-idade com olhos pequenos e desconfiados, os recebeu com um sorriso irônico. "Dona Isabel, que honra. Vejo que veio acompanhada do seu advogado.
Achei que fosse uma simples formalidade." Isabel manteve a calma, respondendo com precisão: "Delegado, recebi uma intimação para depor sobre o sequestro do meu filho. Estou aqui para colaborar." O delegado bufou. "Colaborar? Ou criar mais confusão?
Seu marido, Dr. Almeida, já me contou que vocês estão em meio a um divórcio litigioso. Não seria conveniente inventar um sequestro para ganhar vantagem?" Isabel sentiu o sangue ferver, mas não deixou transparecer. "Meu filho está desaparecido.
Isso não é invenção. Tenho provas, testemunhas, e o bilhete de ameaça." Ela entregou uma cópia do bilhete, mas o delegado mal olhou. "Isso pode ser forjado. A senhora entende que temos que ser criteriosos?" Felipe interveio, com voz firme: "Delegado, a senhora Oliveira é vítima de um crime.
Exijo que a investigação seja levada a sério. Se houver qualquer indício de negligência, tomarei as medidas cabíveis." O delegado o encarou, mas recuou. "Vamos fazer o depoimento formal, então." Durante horas, Isabel repetiu cada detalhe, cada ameaça, cada movimento. O delegado anotava com desdém, fazendo perguntas capciosas, tentando encontrar contradições.
Isabel, exausta, mas determinada, respondeu a tudo com clareza. No final, o delegado a dispensou com um aceno. "Por enquanto, é só. Mas não se afaste da cidade." Isabel saiu da sala com as pernas trêmulas, mas aliviada por ter resistido.
Felipe a amparou pelo braço. "Você foi brilhante." Ela sorriu fracamente. "Foi o que pude fazer." No corredor, Isabel parou e encarou Felipe. "Obrigada por estar aqui.
Eu não sei se teria forças sozinha." Ele segurou as mãos dela, com cuidado. "Você é mais forte do que pensa, Isabel. Eu vi isso hoje. E eu estou aqui porque quero, porque você merece alguém que lute ao seu lado." Isabel sentiu um calor no peito, uma mistura de gratidão e algo mais.
"Felipe, eu..." Ela hesitou, mas ele a interrompeu. "Não precisa dizer nada. Só quero que saiba que pode confiar em mim. Sem segredos, lembra?" Ela assentiu, sentindo uma nova conexão entre eles.
"Sem segredos." Eles caminharam até o carro, e Felipe abriu a porta para ela. "Vamos para casa. Você precisa descansar." Isabel concordou, mas sabia que o descanso era um luxo que não podia se dar. No caminho, ela olhou pela janela, pensando em Téo.
A cada minuto que passava, a angústia aumentava. Mas ao lado de Felipe, ela sentia que não estava sozinha. E isso fazia toda a diferença. Quando chegaram ao apartamento, Isabel estava exausta, mas o celular vibrou com uma mensagem.
Ela olhou para a tela e sentiu o coração parar. Era uma foto de Téo, amarrado, com um recado claro. Ao sair, Isabel recebe uma foto de Téo amarrado, com uma mensagem: 'A próxima vez será pior'.






💬 Reader Comments
Comments are coming soon. Join the discussion about O Dia em que Enterrei Meu Casamento!