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📖 O Dia em que Enterrei Meu Casamento

O Juiz Almeida

839 words

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Isabel ficou paralisada diante da porta arrombada, o bilhete tremendo em suas mãos. 'Desista ou nunca mais o verá.' As palavras ecoavam em sua mente, misturando-se ao latido distante de Téo que ela imaginava ouvir. Com os dedos gelados, ela pegou o celular e discou o número de Felipe, a respiração ofegante. 'Felipe, por favor, atenda', murmurou, enquanto o telefone chamava. Quando ele atendeu, a voz dela saiu em um fio: 'Ele levou o Téo. Meu cachorro... está sumido. A porta... está arrombada.' Do outro lado, Felipe sentiu o coração apertar. 'Fique aí, não toque em nada. Estou indo para aí agora. Já estou a caminho.' Ele desligou e acelerou o carro, o pensamento voando para as possíveis consequências. Isabel, ainda em choque, sentou-se no sofá, os olhos fixos no bilhete, enquanto o silêncio do apartamento a engolia. Minutos depois, Felipe chegou, o rosto tenso. Ele a envolveu em um abraço rápido, mas firme, antes de examinar a porta e o bilhete. 'Isso é uma ameaça séria, Isabel. Precisamos chamar a polícia agora.' Ele já estava com o telefone na mão, mas Isabel o deteve. 'Espera. Antes, preciso te perguntar uma coisa. O que você sabe sobre o Dr. Almeida? O juiz que presidiu o divórcio dos seus pais?' Felipe congelou, o olhar desviando por um instante. 'Por que está perguntando isso agora?' Isabel, com a voz firme, apesar do tremor interno, respondeu: 'Porque o bilhete menciona o juiz. E eu sei que você tem uma rixa pessoal com ele. Preciso saber o que está acontecendo.' Felipe suspirou, passando a mão pelos cabelos. 'Dr. Almeida é um homem corrupto. Ele ajudou meu pai a esconder bens no divórcio, deixando minha mãe sem nada. Eu jurei que um dia o faria pagar.' Isabel olhou para ele, uma nova compreensão surgindo. 'Então é por isso que você me ajudou. Não é só pelo caso.' Felipe a encarou, os olhos verdes cheios de uma dor antiga. 'No começo, sim. Mas agora, é por você, Isabel. Eu acredito na sua luta.' A tensão entre eles era palpável, mas antes que pudessem aprofundar a conversa, a campainha tocou. A polícia havia chegado. O delegado, um homem de meia-idade com olhar cansado, entrou e começou a fazer perguntas. Mas Isabel notou que ele evitava contato visual com Felipe e parecia hesitante. Quando ela mencionou o nome de Dr. Almeida, o delegado pigarreou e disse: 'Vamos fazer o possível, mas esses casos são delicados. Talvez seja melhor a senhora considerar as implicações legais de suas ações recentes.' Isabel sentiu o sangue ferver. 'Meu cachorro foi sequestrado! Isso é um crime!' O delegado desconversou, dizendo que iria registrar a ocorrência, mas a frieza no ar era evidente. Felipe interveio, tentando argumentar, mas o delegado já estava saindo, prometendo 'investigar'. Quando a porta se fechou, Isabel se virou para Felipe, os olhos marejados. 'Ele já foi comprado, não foi? Dr. Almeida está por trás disso.' Felipe assentiu, o maxilar cerrado. 'Provavelmente. Mas não vamos desistir. Vamos encontrar Téo e provar a culpa deles.' Isabel sentiu um misto de gratidão e desconfiança. Ela agora entendia a motivação de Felipe, mas isso a fazia questionar se ele realmente estava ali por ela ou apenas por sua própria vingança. 'Felipe, eu preciso saber: você está me ajudando por causa do seu passado ou porque acredita em mim?' Ele a olhou nos olhos, sem hesitar. 'No começo, era pelo meu passado. Eu vi em você uma oportunidade de derrubar Dr. Almeida. Mas depois de te conhecer, Isabel, de ver sua força, sua coragem... isso mudou. Eu estou aqui porque você merece justiça, e porque eu... eu me importo com você.' As palavras pairaram no ar, quebrando a frieza do momento. Isabel sentiu o coração acelerar, mas também a dor da desconfiança. 'Como posso confiar em você, se você escondeu isso de mim?' Felipe suspirou, o rosto marcado pela culpa. 'Eu deveria ter te contado antes. Mas eu tinha medo de que você não me levasse a sério, ou que pensasse que eu estava usando você. A verdade é que eu nunca quis te machucar, Isabel. Eu só queria justiça, para você e para mim.' Isabel ficou em silêncio por um longo momento, processando tudo. Finalmente, ela deu um passo em direção a ele. 'Eu entendo sua dor, Felipe. E eu também quero justiça. Mas preciso que você seja honesto comigo de agora em diante. Sem segredos.' Ele assentiu, aliviado. 'Prometo. Sem segredos.' Eles se olharam, uma nova aliança selada, não apenas profissional, mas pessoal. Isabel sentiu que, apesar de tudo, eles estavam mais fortes juntos. Mas a ameaça ainda pairava, e ela sabia que a batalha estava longe de terminar. Enquanto eles conversavam, o celular de Isabel vibrou com uma mensagem. Ela olhou para a tela e sentiu o sangue gelar. Era uma foto de Téo, amordaçado, com um recado: 'Você tem 24 horas. Desista ou ele morre.' A polícia chega e começa a investigar o sequestro, mas o delegado parece hesitante, sugerindo que Dr. Almeida já o contatou.
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