📖 A Esposa do Chefão do Tráfico
A Aliança com os Ribeirinhos
A manhã na fazenda amanheceu com o cheiro de terra molhada e o som distante dos pássaros. Isabela, ainda com os olhos cansados da noite anterior, desceu as escadas e encontrou Tião, o capataz, esperando na varanda. Ele parecia preocupado, o chapéu de palha na mão. "Patroa, temos um problema.
O Marcos tá recrutando mais homens na cidade. Dizem que ele tá preparando um ataque grande, e não vai demorar muito." Isabela sentiu o estômago embrulhar. Ela olhou para a floresta além da cerca, pensando nos ribeirinhos que haviam se oferecido para ajudar. Eles eram poucos, mas conheciam a mata como ninguém.
Ela sabia que precisava agir rápido. "Reúna todos no acampamento de treinamento. Vamos nos preparar." No acampamento, Isabela liderava o treino com determinação. Ela mostrava aos ribeirinhos como se mover silenciosamente entre as árvores, como usar o terreno a seu favor.
O suor escorria pelo rosto, mas ela não parava. "Vocês precisam confiar em mim. Eu sei o que estou fazendo", gritou, enquanto desviava de um galho baixo. Lucas, com o braço ainda enfaixado, observava de longe, admirando a coragem dela.
De repente, um dos ribeirinhos, um jovem chamado João, tropeçou e caiu. Isabela se aproximou para ajudar, mas notou algo estranho em seu comportamento. Ele evitava o olhar dela. "João, você está bem?" Ele assentiu, mas Isabela percebeu um brilho de culpa em seus olhos.
Ela puxou-o de lado, longe dos outros. "O que você esconde?" João hesitou, mas acabou confessando: era um espião de Marcos. Isabela sentiu o sangue ferver, mas respirou fundo. "Você vai me contar tudo o que sabe, ou vai pagar por isso." João, tremendo, revelou que Marcos planejava atacar pelo rio na próxima lua cheia.
Lucas, que se aproximara, ouviu a conversa. "Se sabemos o plano, podemos preparar uma armadilha", disse ele, mas logo acrescentou: "Precisamos de explosivos, e não temos." A tensão aumentou entre os ribeirinhos, que olhavam João com desconfiança. Isabela tomou uma decisão que surpreendeu a todos: perdoou João, desde que ele ajudasse a enganar Marcos. "Você vai continuar mandando informações falsas para ele.
Em troca, terá uma chance de redenção." Alguns ribeirinhos protestaram, mas Isabela foi firme. "Eu entendo a desconfiança, mas precisamos de aliados, não de inimigos." Lucas a apoiou, e juntos começaram a planejar a defesa. A confiança entre eles crescia a cada minuto. Isabela percebeu que Lucas não era apenas um advogado; ele era um estrategista nato.
E ele via nela uma líder que não tinha medo de arriscar. Ao final do treino, os ribeirinhos, antes hesitantes, agora olhavam para Isabela com respeito. Ela havia provado seu valor, não apenas com palavras, mas com ações. João, embora ainda sob vigilância, começou a colaborar, fornecendo detalhes sobre as rotas de Marcos.
Isabela sentiu que, pela primeira vez, tinha o controle da situação. Lucas ajoelhou-se na areia, pegou um galho e começou a desenhar o rio, marcando os pontos de emboscada. Ele olhou para Isabela, os olhos brilhando com determinação. Lucas desenha um mapa do rio na areia, marcando os pontos de emboscada, e diz que precisam de explosivos para a armadilha.






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