📖 A Esposa do Chefão do Tráfico
A Fuga Desesperada
Isabela hesitou no barco, os pés firmes no chão de madeira, mas o som de passos no porto ecoou na escuridão, e ela sentiu o coração disparar. Lucas estendeu a mão, impaciente. "Entra agora, ou ficamos para trás." Ela olhou para trás, vendo as luzes da cidade ao longe, pensando em tudo que deixava para trás. Mas a lembrança do rosto do pai morto e a promessa de vingança a fizeram agarrar a mão dele e saltar para dentro do barco.
O motor roncou baixo, e eles deslizaram para o rio Negro, engolidos pela noite. Isabela apertou o celular contra o peito, a gravação ainda viva em sua mente. Ela não sabia se podia confiar em Lucas, mas não tinha escolha. O barco cortava as águas escuras, e ela sentia o cheiro de peixe e vegetação úmida.
"Obrigada", sussurrou, mas ele não respondeu, os olhos fixos no horizonte. Lucas navegava com destreza, desviando de troncos submersos e galhos baixos. Isabela, sentada no banco, tentava estancar o sangue no braço com um pano que ele lhe dera. A dor era aguda, mas ela mordia os lábios para não reclamar.
"Conte-me sobre sua irmã", pediu ela, tentando entender o homem ao seu lado. Lucas apertou os lábios, os olhos fixos no rio. "Ela se chamava Marina. Tinha dezenove anos, estudava medicina.
Foi morta por engano, num tiroteio entre os homens de Marcos e uma facção rival." A voz dele tremia de raiva. "Ele nunca assumiu, mas eu soube. Eu juro que soube." Isabela sentiu um aperto no peito. "Eu sinto muito." Ele balançou a cabeça.
"Não sinta. Só me ajude a derrubá-lo." De repente, um holofote varreu a água atrás deles. "Abaixe-se!", gritou Lucas, acelerando. Uma lancha preta se aproximava, com homens armados.
"Eles nos encontraram!" Isabela se curvou, o coração batendo forte. Lucas virou bruscamente para um igarapé estreito, coberto por vegetação densa. A lancha passou reto, e eles ficaram imóveis, escondidos sob as árvores. "Ainda nos procuram", sussurrou ele.
"Mas conheço esses caminhos como a palma da minha mão." Quando os motores da lancha se afastaram, Isabela soltou o ar. "Você arriscou sua vida por mim. Por quê?" Lucas a encarou, os olhos escuros brilhando na penumbra. "Porque você tem a gravação.
E porque você merece justiça, assim como minha irmã." Isabela sentiu uma onda de confiança, algo que não sentia há muito tempo. "Marcos tem propriedades no interior, lugares onde ele esconde dinheiro e provas", revelou ela, decidida. "Se conseguirmos chegar a uma delas, podemos encontrar mais evidências." Lucas ergueu uma sobrancelha. "Você conhece os esconderijos dele?" Ela assentiu.
"Eu era a esposa dele, lembra? Eu via os papéis, ouvia as conversas." Ele sorriu, um traço de admiração. "Então temos uma chance." Mas o barco deu um solavanco, e o motor tossiu, engasgando. "Droga", resmungou Lucas, tentando religar.
"A hélice deve ter batido em alguma coisa." Isabela olhou ao redor, a escuridão da floresta os cercando. "E agora?" Lucas praguejou baixo, tentando fazer o motor funcionar novamente. Isabela olhava para a escuridão, sentindo o peso da noite. De repente, ele apontou para a margem, onde uma luz fraca tremeluzia entre as árvores.
Lucas avista uma luz fraca entre as árvores e diz que conhece um refúgio próximo.






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