📖 A Esposa do Chefão do Tráfico
A Chegada à Fazenda
A lancha cortava as águas escuras do rio, o motor roncando como um animal faminto. Isabela, escondida atrás de um tronco caído, prendeu a respiração. Os holofotes varriam a margem, mas ela estava bem camuflada. Quando a lancha passou, ela soltou o ar, o coração martelando.
Ela sabia que precisava sair dali antes que voltassem. Rastejando pela vegetação, ela encontrou um pequeno barco de pescador amarrado a uma árvore. Com cuidado, ela o soltou e remou para longe, usando a correnteza a seu favor. O céu começava a clarear quando ela avistou a margem conhecida.
A fazenda de sua avó, Dona Eulália, estava ali, com sua casa de madeira e o cheiro de terra molhada. Isabela atracou o barco e correu pela trilha, o vestido molhado grudando em seu corpo. Ela precisava ver sua avó, precisava de um lugar seguro para planejar seus próximos passos. Ao chegar à varanda, Isabela encontrou Dona Eulália sentada em sua cadeira de balanço, tomando café.
A avó, uma senhora de cabelos brancos e olhos vivos, a recebeu com um abraço apertado. 'Minha menina, que susto! Você está molhada e pálida. O que aconteceu?' Isabela, com a voz embargada, contou tudo: a fuga, a gravação, a aliança com Lucas.
Dona Eulália ouviu em silêncio, o rosto endurecendo. 'Eu sabia que aquele homem era mau. Ele já veio aqui tentando comprar as terras, mas eu não vendi. Ele ameaçou a gente, mas eu não tenho medo.' Isabela perguntou sobre os documentos da propriedade.
A avó foi até um armário antigo e tirou uma pasta amarelada. 'Aqui estão os títulos de posse, passados de geração em geração. Sua mãe me deu antes de morrer. Mas tem um problema: Marcos entrou com uma ação na justiça, alegando que seu pai tinha dívidas e que as terras foram dadas como garantia.
Ele quer tomar tudo.' Isabela folheou os papéis, os olhos brilhando. 'Eu vou lutar, vó. Eu vou provar que essas terras são nossas.' Nesse momento, um funcionário da fazenda, Seu Antônio, veio correndo, o rosto suado e assustado. Ele gesticulava, tentando falar, mas a voz saía trêmula.
'Patroa, tem homem estranho rondando a cerca!' Dona Eulália apertou a mão de Isabela, os olhos marejados. 'Você é uma Oliveira de verdade. Seu pai ficaria orgulhoso.' Isabela sentiu um nó na garganta. Ela sempre fora tratada como inferior por Marcos, mas ali, naquela casa simples, ela era a herdeira legítima.
A avó entregou a pasta a Isabela, com um sorriso triste. 'Guarde com você. Eles podem vir atrás de mim, mas você precisa estar segura. Vá para Manaus, procure um advogado de confiança.
Eu conheço um, o Dr. Mendes, filho do juiz. Ele é íntegro.' Isabela estremeceu ao ouvir o sobrenome. Lucas Mendes.
Ela não contou à avó sobre a aliança, mas sentiu que o destino estava a seu favor. Ela guardou a pasta dentro da blusa, sentindo o peso da responsabilidade. 'Eu prometo, vó, que vou recuperar nossas terras. E vou fazer justiça pelo papai.' As duas se abraçaram, o silêncio da manhã sendo quebrado apenas pelo canto dos pássaros.
Isabela olhou para a cerca ao longe, os olhos estreitando. Ela não podia ficar ali por muito tempo. Precisava agir antes que Marcos descobrisse seu paradeiro. Isabela e a avó se entreolharam, o medo estampado no rosto.
Seu Antônio apontou para a estrada de terra, onde uma poeira indicava a aproximação de um veículo. Isabela apertou a pasta contra o peito, sentindo o coração acelerar. Um funcionário da fazenda chega correndo: 'Patroa, tem homem estranho rondando a cerca!'






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