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📖 A Esposa do Chefão do Tráfico

O Refúgio na Floresta

713 words

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O grito de Tião ecoou na palafita, e Isabela sentiu o coração disparar. Sem pensar duas vezes, ela agarrou o braço de Lucas e puxou-o para fora, os pés descalços batendo na madeira úmida. Atrás deles, o som dos motores ficava mais alto, e vozes masculinas cortavam o ar. "Por aqui!" sussurrou Lucas, guiando-a para um atalho entre as árvores. Eles correram sem olhar para trás, enquanto a vegetação fechava-se atrás deles, engolindo a palafita e a ameaça iminente. Isabela sentia o cheiro de terra molhada e o ardor nos pulmões, mas não parava. Cada galho que estalava sob seus pés parecia um trovão, anunciando sua presença. Finalmente, após o que pareceu uma eternidade, eles pararam, ofegantes, em uma clareira onde uma cabana abandonada se erguia, coberta de musgo e silêncio. Isabela empurrou a porta de madeira podre, que rangeu em protesto. O interior era escuro, com teias de aranha nos cantos e um cheiro de mofo. Ela acendeu o isqueiro que carregava no bolso, iluminando o espaço. Havia uma mesa velha, um banco quebrado e, no chão, um baú empoeirado. "Aqui deve ser seguro", disse ela, mas Lucas já estava examinando o local. "Não por muito tempo", respondeu ele, apontando para pegadas recentes na poeira. Isabela ignorou-o e abriu o baú. Dentro, encontrou um mapa amarelado, coberto de anotações e rotas marcadas com tinta vermelha. No canto, uma assinatura: 'Oliveira'. Isabela sentiu o chão sumir. "Isso é do meu pai", murmurou, os dedos trêmulos tocando o papel. Lucas aproximou-se, franzindo a testa. "Isabela, isso parece uma rota de tráfico. Seu pai..." "Não!" Ela cortou, os olhos marejados. "Meu pai nunca se envolveria com isso. Ele era um fazendeiro honesto!" Lucas suspirou, colocando a mão no ombro dela. "Eu sei que é difícil, mas os fatos estão aqui. Talvez ele tenha sido coagido, ou..." "Você não o conhecia!" Isabela afastou-se, a dor transformando-se em raiva. "Ele foi assassinado, e agora você quer manchar a memória dele?" Lucas recuou, os olhos cheios de compreensão. "Não é isso. Eu só quero a verdade, e você também. Mas a verdade pode ser mais complicada do que imaginamos." Isabela apertou o mapa contra o peito, sentindo o papel áspero. "Eu vou descobrir o que aconteceu, com ou sem sua ajuda." Ela guardou o mapa no bolso, determinada a usá-lo como prova, mesmo que doesse. O silêncio entre eles era pesado, cortado apenas pelo canto dos pássaros. Isabela sentou-se no banco quebrado, o mapa ainda queimando em seu bolso. Lucas ficou de pé, observando-a, os olhos cheios de uma preocupação que ela não queria ver. "Isabela", ele começou, a voz suave, "eu sei que isso é doloroso. Mas não estou aqui para julgar seu pai. Estou aqui para derrubar Marcos, e se seu pai estava envolvido, talvez ele tenha sido vítima também." Ela ergueu os olhos, a raiva dando lugar a uma exaustão profunda. "Como pode ter certeza?" Lucas sentou-se ao lado dela, mantendo uma distância respeitosa. "Porque conheço a crueldade de Marcos. Ele destrói tudo o que toca. Seu pai pode ter sido enganado, ameaçado. Não sabemos." Isabela respirou fundo, sentindo as lágrimas ameaçarem. "Eu só queria que ele estivesse aqui", sussurrou. Lucas não respondeu, mas seu olhar era um consolo silencioso. Ela percebeu que, apesar da tensão, havia uma aliança entre eles, frágil mas real. "Obrigada", disse ela, a voz rouca. "Por acreditar em mim." Ele assentiu, um leve sorriso nos lábios. "Sempre." Naquele momento, o som de vozes aproximando-se quebrou o encanto. Isabela e Lucas trocaram olhares alarmados. "Eles estão aqui", sussurrou ela, levantando-se. Lucas colocou o dedo nos lábios, indicando silêncio. Eles se esconderam atrás de uma pilha de caixas, enquanto os passos ficavam mais altos. Isabela prendeu a respiração, o coração batendo tão forte que parecia ecoar na cabana. As vozes ficaram mais distintas, e Isabela reconheceu uma delas. Era um dos capangas de Marcos, que ela vira na fazenda. Eles estavam parados do lado de fora, conversando. "O chefe disse que este é o ponto de encontro", disse um. "Vamos esperar aqui até escurecer." Isabela e Lucas olharam-se, percebendo o perigo iminente. Ouvem vozes se aproximando e percebem que os capangas usam a cabana como ponto de encontro.
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