📖 A Esposa do Chefão do Tráfico
A Gravação Maldita
Isabela se esconde atrás de um carro, ofegante, enquanto o capanga se aproxima. O coração dela batia tão forte que parecia ecoar no silêncio da madrugada. Ela apertou o celular contra o peito, sentindo o peso da gravação que carregava. O homem passou a poucos metros, mas não a viu.
Ela prendeu a respiração, esperando o momento certo para correr. Assim que ele virou as costas, ela saiu em disparada, atravessando a rua em direção ao porto. As luzes dos navios brilhavam ao longe, mas ela não sabia para onde ir. O braço ardia, e a adrenalina a mantinha em movimento.
Ela precisava de um lugar seguro, um lugar onde pudesse ouvir a gravação e descobrir o que fazer em seguida. Isabela correu pelo calçamento irregular do porto, tropeçando em cordas e caixas. Ela olhou para trás e viu o capanga ainda procurando, mas ele estava longe. Ela se escondeu atrás de um contêiner, tentando recuperar o fôlego.
O celular estava quase sem bateria, e ela precisava carregá-lo. Ela viu um barco pequeno atracado, com um homem mexendo no motor. Sem pensar duas vezes, ela se aproximou. 'Por favor, o senhor pode me ajudar?
Preciso carregar meu celular', pediu, com a voz trêmula. O homem ergueu os olhos, e ela reconheceu Lucas Mendes, o advogado que a procurara dias antes. Ele a olhou com desconfiança, mas notou o sangue no braço dela. 'O que aconteceu?', perguntou.
Isabela hesitou, mas a necessidade falou mais alto. 'Preciso de ajuda. Meu marido quer me matar.' Lucas franziu a testa, mas a ajudou a entrar no barco. Ele a levou para a cabine, onde havia uma tomada.
Enquanto o celular carregava, ele a observava. 'Por que ele quer te matar?', indagou. Isabela olhou para ele, decidindo confiar. 'Porque eu descobri algo.
Algo que pode destruí-lo.' Ela ligou o celular e reproduziu a gravação. A voz de Marcos ecoou na cabine, revelando o plano de assassinato. Lucas ficou pálido. 'Eu conheço essa voz', disse ele, com os olhos fixos no aparelho.
'Essa é a voz do homem que matou minha irmã.' Isabela arregalou os olhos. 'Sua irmã?', perguntou. Lucas assentiu, com raiva contida. 'Ela era jornalista e estava investigando o tráfico.
Ele a mandou matar.' Ele olhou para Isabela com uma nova determinação. 'Eu vou te ajudar. Mas você vai me ajudar a derrubá-lo.' Isabela sentiu um misto de alívio e medo. Ela não estava mais sozinha, mas sabia que a aliança com Lucas era perigosa.
'Como você sabe que pode confiar em mim?', perguntou ela. Lucas sorriu sem humor. 'Porque você tem a gravação, e eu tenho informações. Juntos, podemos destruí-lo.' Ele pegou um colete salva-vidas e entregou a ela.
'Vista isso. Vamos sair daqui antes que os homens dele apareçam.' Isabela obedeceu, sentindo o peso da decisão. Ela olhou para o celular, agora carregado, e apertou-o contra o peito. 'O que vamos fazer?', perguntou.
Lucas ligou o motor do barco. 'Primeiro, vamos para um lugar seguro. Depois, planejamos.' Ele a olhou nos olhos, e ela viu a dor e a determinação nele. 'Eu não vou deixar que ele escape impune.
Por minha irmã. E por você.' Isabela sentiu um arrepio na espinha. Ela não sabia se podia confiar plenamente nele, mas não tinha outra escolha. 'Obrigada', sussurrou.
Lucas assentiu e começou a manobrar o barco para longe do porto. O barco deslizou silenciosamente pelas águas escuras do rio Negro. Isabela olhou para trás, vendo as luzes de Manaus se afastando. Ela sabia que Marcos não desistiria.
Ele faria de tudo para encontrá-la. Mas, ao lado de Lucas, ela sentia uma centelha de esperança. Ela olhou para ele, que dirigia o barco com determinação. De repente, ele estendeu a mão para ela.
Lucas pega a mão de Isabela e a conduz para um barco.






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