📖 A Esposa do Chefão do Tráfico
A Revelação de Lucas
Isabela e Lucas permaneceram imóveis atrás das caixas, o coração de Isabela batendo tão alto que parecia ecoar na cabana. Os capangas entraram, suas vozes graves preenchendo o espaço. Eles não revistaram o fundo, apenas jogaram alguns sacos no chão e se sentaram perto da porta, conversando em tom baixo. Isabela sentiu o cheiro de fumaça de cigarro e o som de um isqueiro sendo aceso.
Ela prendeu a respiração, cada segundo parecendo uma eternidade. Lucas, ao seu lado, estava tenso, os músculos rígidos sob a camisa. Ele a olhou, os olhos escuros transmitindo um aviso silencioso: fique quieta. Isabela assentiu, os dedos apertando o mapa que carregava no bolso.
Os capangas falavam sobre a recompensa, sobre como Marcos estava furioso e queria Isabela capturada viva. Um deles riu, dizendo que ela não duraria uma noite na floresta. Isabela sentiu um arrepio na espinha, mas não era medo; era raiva. Ela não era uma presa indefesa.
Quando os capangas finalmente saíram, a porta rangendo atrás deles, Isabela soltou o ar que nem percebeu que estava segurando. Lucas colocou a mão no ombro dela, um gesto rápido de conforto, antes de se levantar e espiar pela janela. 'Eles foram', sussurrou. Isabela se ergueu, as pernas trêmulas, mas determinada.
'Precisamos sair daqui antes que voltem.' Eles saíram pela porta dos fundos, mergulhando na escuridão da floresta. A lua estava encoberta por nuvens, e a única luz vinha de pequenos vaga-lumes que flutuavam entre as árvores. Isabela seguiu Lucas, que parecia conhecer o caminho, desviando de galhos e raízes com uma agilidade que a surpreendeu. O som dos seus passos era abafado pelas folhas úmidas, mas Isabela ainda temia que alguém os ouvisse.
Eles caminharam por um longo tempo, até que Lucas parou perto de um riacho. Ele se ajoelhou, pegou um pouco de água e bebeu, oferecendo a Isabela. Ela aceitou, a água fria aliviando sua garganta seca. 'Precisamos conversar', disse Lucas, sentando-se numa pedra.
Isabela permaneceu de pé, os braços cruzados. 'Sobre o quê? Sobre como você conhece a voz de Marcos tão bem?' Lucas suspirou, passando a mão pelos cabelos. 'Eu não sou apenas um advogado, Isabela.
Eu sou filho do juiz Mendes.' Isabela arregalou os olhos. 'O juiz que...' 'Que foi ameaçado por Marcos, sim. Minha irmã, Ana, foi morta por um dos homens de Marcos. Ela era jornalista e estava investigando o tráfico.
Ele a mandou matar para silenciá-la.' A voz de Lucas tremia, mas seus olhos estavam secos. 'Eu me infiltrei na organização para vingá-la. Para derrubar Marcos de dentro.' Isabela sentiu o chão se abrir sob seus pés. 'Você está usando isso para me manipular?' 'Não!
Eu nunca quis te envolver. Mas quando descobri que você era a esposa dele, vi uma chance. Nós temos o mesmo objetivo.' Isabela riu, um som amargo. 'Você mentiu para mim desde o início.' Lucas se levantou, aproximando-se dela.
'Eu sei. E sinto muito. Mas agora você sabe a verdade. E eu preciso da sua ajuda.' Isabela deu um passo para trás.
'Por que eu deveria confiar em você?' Lucas olhou para o chão, os ombros caídos. 'Porque meu pai está em perigo. Marcos descobriu que ele está me ajudando. Se eu não agir rápido, ele vai matá-lo.' Isabela sentiu um aperto no peito.
Ela conhecia a dor de perder um pai. 'Como você sabe disso?' 'Recebi uma mensagem de um amigo no tribunal. Marcos mandou ameaças. Ele sabe que meu pai está envolvido.' Isabela respirou fundo, pensando.
Ela não confiava em Lucas, mas ele era sua única chance de derrubar Marcos. 'Se eu ajudar você, você me ajuda a limpar meu nome. E a descobrir a verdade sobre meu pai.' Lucas assentiu. 'Prometo.' Eles ficaram em silêncio por um momento, o som do riacho preenchendo o vazio entre eles.
Isabela sentiu a raiva diminuir, substituída por uma determinação fria. 'Se vamos trabalhar juntos, preciso saber tudo o que você sabe sobre Marcos.' Lucas assentiu, sentando-se novamente. 'Ele tem negócios com políticos locais, juízes corruptos. Mas o mais importante é que ele está de olho nas terras do seu pai.
Ele quer expandir a rota de tráfico pela região, e suas terras são perfeitas para isso.' Isabela franziu a testa. 'Então foi por isso que ele se casou comigo? Para ter acesso às terras?' 'Provavelmente. Mas ele não contava com você sendo tão...
determinada.' Um leve sorriso apareceu nos lábios de Lucas. Isabela não retribuiu, mas sentiu um calor no peito. 'E o que fazemos agora?' 'Precisamos chegar à cidade, encontrar meu pai e levá-lo para um lugar seguro. Depois, usamos a gravação e o mapa para expor Marcos.' Isabela pensou no mapa em seu bolso.
'O mapa tem o nome do meu pai. Precisamos descobrir o que isso significa.' Lucas olhou para ela, os olhos cheios de compreensão. 'Vamos descobrir juntos.' Naquele momento, o celular de Lucas vibrou. Ele olhou para a tela, e sua expressão mudou.
'O que foi?' Isabela perguntou, alarmada. Lucas ergueu o telefone, a luz da tela iluminando seu rosto. 'É do meu amigo advogado. Ele diz que Marcos sabe onde estamos.' Isabela sentiu o sangue gelar.
Ela olhou para a escuridão ao redor, imaginando capangas se aproximando. 'Como ele descobriu?' Lucas guardou o celular no bolso, o rosto pálido. 'Não importa. Precisamos sair daqui agora.' Lucas mostra a mensagem no celular para Isabela, e ambos percebem que precisam agir rápido.






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