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📖 A Esposa do Chefão do Tráfico

O Segredo do Pai

819 words

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A noite caía sobre a fazenda, e o silêncio era quebrado apenas pelo barulho distante dos trabalhadores reforçando as barricadas. Isabela, ainda com o papel rasgado do ultimato na mão, sentia o peso da ameaça de Marcos sobre a avó. Ela entrou na casa, subiu as escadas e parou diante do quarto do pai. A porta rangeu ao abrir, revelando um ambiente intacto, como se o tempo tivesse parado. A cama ainda estava arrumada, e sobre a cômoda, uma foto do pai sorridente, montado em um cavalo. Isabela respirou fundo, sentindo a presença dele ali. Precisava encontrar algo, qualquer coisa que pudesse incriminar Marcos ou proteger a fazenda. Começou a vasculhar as gavetas, os armários, mas nada além de roupas e objetos pessoais. Foi então que seus olhos caíram sobre um baú antigo, trancado, no canto do quarto. Com uma sensação estranha, ela se ajoelhou e tentou abri-lo, mas estava fechado. Procurou uma chave, revirou os bolsos das roupas do pai, até que encontrou uma pequena chave enferrujada escondida em um livro de cabeceira. Com as mãos trêmulas, ela destrancou o baú. Dentro, cartas amarradas com um laço de fita e fotografias amareladas. Isabela pegou a primeira carta e começou a ler, seu coração acelerando a cada palavra. As cartas revelavam uma verdade devastadora: seu pai, José Oliveira, tinha negócios com Marcos Almeida. Eram acordos de terras, mas também de transporte de mercadorias ilegais. Isabela leu sobre como seu pai tentou se afastar do esquema, mas Marcos o ameaçou, dizendo que se ele saísse, a família sofreria. A última carta, datada dias antes da morte do pai, era um desabafo: 'Não posso mais viver assim. Vou à polícia, mesmo que isso me custe a vida.' Isabela sentiu as lágrimas queimarem seus olhos. Seu pai não era um santo, mas também não era um criminoso. Ele foi vítima de Marcos, assim como ela. Ela guardou as cartas no bolso, decidida a usá-las. Mas Lucas, que a havia seguido até ali, apareceu na porta, o braço enfaixado. 'O que encontrou?', perguntou ele, a voz preocupada. Isabela hesitou, mas mostrou as cartas. Lucas leu rapidamente, seu rosto se fechando. 'Isso é ouro puro. Podemos entregar à polícia, incriminar Marcos de uma vez.' Isabela balançou a cabeça, o medo apertando seu peito. 'Se eu revelar isso, o nome do meu pai será manchado. Os funcionários, os ribeirinhos, todos o respeitam. Se descobrirem que ele teve envolvimento com o tráfico, perderemos o apoio deles. E sem eles, não temos chance contra Marcos.' Lucas argumentou, sua voz firme: 'A verdade é mais importante. Seu pai tentou fazer a coisa certa. Isso não o torna culpado. E essas cartas podem ser a única prova concreta que temos.' Os dois discutiram, a tensão aumentando. Isabela sentia-se dividida entre proteger o legado do pai e fazer justiça. Finalmente, ela tomou uma decisão: 'Vou guardar as cartas no cofre. Só as usaremos se não houver outro jeito. Por enquanto, vamos nos concentrar em proteger a fazenda e minha avó.' Lucas suspirou, mas assentiu, respeitando a escolha dela. 'Você é mais forte do que pensa, Isabela. Eu confio em você.' Isabela guardou as cartas no cofre da fazenda, trancando-as com um clique final. Ela se virou para Lucas, que a observava com uma expressão de admiração. 'Obrigada por entender', disse ela, a voz embargada. Lucas deu um passo em sua direção, o rosto iluminado pela luz fraca do abajur. 'Eu não entendi, eu confiei. Você tem seus motivos, e eu respeito isso. Mas prometa que, se precisarmos, você não vai hesitar.' Isabela assentiu, sentindo uma conexão profunda com ele. Naquele momento, ela percebeu que não estava mais sozinha. 'Eu prometo', sussurrou. Eles ficaram em silêncio, o som dos grilos preenchendo o ambiente. Isabela sentiu o cansaço pesar em seus ombros, mas também uma nova determinação. Ela olhou para Lucas, notando o cansaço em seus olhos, o braço ferido. 'Você precisa descansar. Vou ver como estão os reparos.' Ela se virou para sair, mas Lucas a chamou: 'Isabela.' Ela parou, olhando para trás. 'Cuidado. Marcos não vai desistir.' Ela sorriu, um sorriso triste. 'Eu sei. Mas agora tenho mais uma razão para lutar.' Ela saiu do quarto, fechando a porta atrás de si. No corredor, ela respirou fundo, sentindo o peso das cartas em sua mente. Ela desceu as escadas, pronta para enfrentar o que viesse. Mas antes que pudesse chegar à porta da sala, ouviu um barulho vindo do quarto da avó. Preocupada, ela subiu as escadas novamente e encontrou Dona Eulália parada na porta, com lágrimas escorrendo pelo rosto. Dona Eulália, a avó de Isabela, estava parada na porta do quarto, com lágrimas escorrendo pelo rosto. Isabela sentiu o coração apertar. 'Vó, o que foi?' A avó balançou a cabeça, a voz embargada. Dona Eulália, a avó, aparece na porta, com lágrimas, e confessa que sabia dos negócios do filho e pede perdão a Isabela.
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