📖 A Esposa do Chefão do Tráfico
O Primeiro Golpe
O sol da manhã filtrou pelas copas das árvores, iluminando o acampamento. Isabela observou Lucas terminar de desenhar o mapa do rio na areia, marcando os pontos de emboscada. Ela sabia que aquele plano era crucial, mas sem explosivos, tudo não passava de um sonho. "Precisamos agir rápido", disse ela, ajeitando o chapéu de palha.
Lucas levantou os olhos, um brilho de determinação neles. "Vamos à cidade vizinha. Conheço um contato que pode nos conseguir o material." Isabela hesitou, mas assentiu. "Mas temos que ser discretos.
Marcos tem olhos em todo lugar." Ela chamou dois ribeirinhos de confiança para acompanhá-los, e partiram em uma canoa escondida, remando contra a correnteza. O cheiro de terra molhada e a umidade da floresta preenchiam o ar, enquanto o som dos remos cortava a água em um ritmo constante. Isabela sentia o coração acelerar; cada minuto longe do acampamento era um risco, mas sabia que precisavam daqueles explosivos para terem alguma chance. Chegaram à casa do contato, um homem magro de olhos desconfiados, conhecido como Seu Chico.
Ele os recebeu em um quintal cheio de tambores de óleo e redes de pesca. "Vocês querem explosivos? Isso é caro e perigoso", disse ele, cuspindo no chão. Isabela ofereceu dinheiro da herança, mas Chico balançou a cabeça.
"Não quero dinheiro. Quero que você entregue uma carga de drogas para o Marcos. É o pagamento." Isabela sentiu o estômago embrulhar. "Não vou fazer isso.
Não sou traficante." Chico riu, um som áspero. "Então não tem negócio." Lucas interveio, sua voz firme: "Seu Chico, eu sou advogado. Sei de suas ligações com o tráfico e posso expor tudo às autoridades. Você quer isso?" O contato empalideceu, mas tentou blefar.
"Você não tem provas." Lucas sorriu, tirando um gravador do bolso. "Tenho esta conversa gravada. E posso conseguir mais." Chico suou, olhando de um para o outro. "Está bem, está bem.
Mas aviso: Marcos vai saber dessa transação. Ele tem informantes em toda parte." Ele entregou uma caixa de madeira com dinamites e detonadores. Isabela pegou a caixa, sentindo o peso da responsabilidade. "Obrigada", disse ela, mas sabia que o aviso era real.
Eles saíram rapidamente, guardando o material na canoa, enquanto o sol começava a se pôr, lançando sombras longas sobre o rio. Na canoa, Isabela e Lucas remavam em silêncio, mas a tensão entre eles era palpável. Isabela quebrou o silêncio: "Você arriscou muito ao se revelar. Por que fez isso?" Lucas a olhou, seus olhos escuros encontrando os dela.
"Porque acredito no que estamos fazendo. E não deixaria você se sujar com esse negócio." Isabela sentiu um calor no peito, algo além da gratidão. "Eu não queria que você se envolvesse mais do que já está." Lucas sorriu, um sorriso cansado. "Já estou envolvido até o pescoço.
Mas ao seu lado, sinto que posso fazer a diferença." Eles remaram em silêncio, mas a cumplicidade crescia. Isabela percebeu que Lucas não era apenas um aliado; ele era alguém em quem podia confiar. Ao longe, viram as luzes do acampamento, mas antes que pudessem comemorar, um holofote os cegou. Uma voz autoritária gritou: "Parados!
Polícia!" O coração de Isabela disparou. Eles estavam com explosivos ilegais e não tinham como se explicar. A lancha da polícia se aproximou, e ela viu o rosto do oficial, um homem que conhecia bem: era um dos homens de Marcos. No caminho de volta, são parados por uma blitz policial corrupta.






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