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📖 O Dia em que Descobri que Era Herdeira

A Documentação Forjada

816 words

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A manhã seguinte amanheceu cinzenta sobre Brasília, como se o céu refletisse o peso das revelações da noite anterior. Isabela mal havia dormido, revirando na cama as palavras de Rafael: 'Eu sempre te amei'. O coração dela ainda estava em conflito, mas a notícia do incêndio na fazenda principal em Mato Grosso a tirou de qualquer devaneio. Ela vestiu rapidamente uma calça jeans e uma camisa simples, pegou sua bolsa e encontrou Rafael no carro, já com o motor ligado. Ele parecia exausto, com olheiras profundas, mas seus olhos estavam determinados. 'Vamos para a fazenda. Precisamos ver os estragos com nossos próprios olhos', disse ele, arrancando em direção ao aeroporto. Durante o voo, ficaram em silêncio, cada um perdido em seus pensamentos. Isabela olhava pela janela, vendo as nuvens passarem, e se perguntava até onde Lucas seria capaz de ir para destruí-la. Quando pousaram no Mato Grosso, o ar quente e seco a recebeu, e o cheiro de fumaça ainda pairava no ar, mesmo a quilômetros de distância. A fazenda era um cenário de devastação. O galpão principal estava reduzido a escombros carbonizados, e o cheiro de queimado era insuportável. Isabela e Rafael caminharam entre os destroços, acompanhados pelo capataz, que relatava os prejuízos. 'Foi criminoso, sem dúvida. Encontramos vestígios de acelerante', disse ele, apontando para uma área isolada. Foi então que Isabela notou algo parcialmente enterrado sob uma viga queimada. Com cuidado, ela se abaixou e puxou um maço de papéis, alguns com as bordas chamuscadas. Ao examiná-los, seu coração gelou: eram documentos que pareciam ser um contrato de venda da fazenda, assinado com seu nome. 'Rafael, olha isso!', exclamou ela, entregando os papéis. Ele os leu rapidamente, franzindo a testa. 'Isso é uma forja. A data é de ontem, mas você estava em Brasília comigo. E a assinatura está errada.' Isabela sentiu um misto de raiva e medo. 'Lucas está tentando me incriminar. Ele quer que eu seja presa por incendiar minha própria propriedade.' Decidida, ela disse: 'Vamos para a delegacia. Vou entregar isso e provar minha inocência.' Na delegacia local, o ambiente era simples e o delegado, um homem de meia-idade, parecia sobrecarregado. Isabela apresentou os documentos, explicando as inconsistências. 'Veja, a assinatura não é minha. E eu estava em Brasília, tenho testemunhas.' O delegado olhou para ela com desconfiança. Nesse momento, a porta se abriu e Lucas entrou, acompanhado de um advogado de terno caro e uma mulher que Isabela reconheceu como uma ex-funcionária da fazenda. Lucas tinha um sorriso arrogante. 'Delegado, tenho provas de que Isabela Oliveira é a responsável pelo incêndio. Esta testemunha a viu no local ontem à noite.' A mulher assentiu, com os olhos baixos. Isabela sentiu o chão se abrir. 'Isso é mentira!', protestou. O delegado, visivelmente influenciado pela presença de Lucas, hesitou. 'Precisamos levar isso a sério. Srta. Oliveira, a senhora ficará detida para investigação.' Rafael interveio, firme: 'Isso é um absurdo. Tenho um álibi sólido para ela. Estávamos juntos em Brasília. Meu advogado já está a caminho.' A tensão no ar era palpável. O advogado de Rafael chegou em menos de uma hora, um homem experiente chamado Dr. Mendes. Ele apresentou ao delegado os registros de voo, a ata da reunião do conselho e depoimentos de testemunhas que confirmavam a presença de Isabela em Brasília. 'A acusação é infundada. A senhora Oliveira estava a mais de mil quilômetros daqui no momento do incêndio', disse Dr. Mendes, com autoridade. O delegado, pressionado pelas evidências, não teve escolha senão liberar Isabela. Lucas, furioso, tentou argumentar, mas o delegado o ignorou. 'Sr. Almeida, se a senhora Oliveira quiser processá-lo por difamação, é um direito dela. Por ora, o caso está encerrado.' Ao sair da delegacia, Isabela sentiu um misto de alívio e exaustão. Ela olhou para Rafael, que estava ao seu lado, protetor. 'Obrigada. Você não precisava ter feito tudo isso por mim.' Rafael segurou seu braço suavemente. 'Eu sempre vou te proteger, Isabela. Não importa o que aconteça.' Ela sentiu um calor no peito, mas se lembrou de sua situação. 'Eu sei. Mas ainda preciso de tempo. Vamos nos concentrar em descobrir o que Lucas está tramando.' Rafael assentiu, respeitando seus limites. 'Claro. Vamos trabalhar juntos. Mas, por favor, não se afaste de mim.' Isabela sorriu, um sorriso cansado. 'Não vou. Precisamos um do outro.' Eles começaram a caminhar em direção ao carro, quando o celular de Isabela vibrou. Ela olhou para a tela e viu uma mensagem de um número desconhecido. A mensagem era uma foto, e Isabela prendeu a respiração ao reconhecê-la. Era uma imagem de sua avó, Dona Helena, sorrindo, aparentemente viva e saudável. Abaixo da foto, havia um endereço no Mato Grosso do Sul. Isabela olhou para Rafael, com os olhos arregalados. Ao sair da delegacia, Isabela recebe uma mensagem anônima com uma foto de sua avó, aparentemente viva, e um endereço no Mato Grosso do Sul.
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