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📖 O Dia em que Descobri que Era Herdeira

O Beijo que Tudo Mudou

776 words

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O restaurante estava mais iluminado do que Isabela esperava. Ela chegou cedo, com o coração acelerado, vestindo o vestido azul que Lucas dizia amar. Na bolsa, o presente: um relógio gravado com a data do casamento. Queria surpreendê-lo antes do jantar. Caminhou pelo salão, reconhecendo o maître, que sorriu. Mas ao se aproximar da mesa reservada, no canto, viu duas taças de champanhe. E então os viu. Lucas e Camila. Ele segurava o rosto dela com as duas mãos, como fazia com Isabela. O beijo foi longo, intenso, sem pressa. Isabela parou. O mundo pareceu desabar. Ela não conseguia respirar. As palavras do garçom, oferecendo mais vinho, soaram distantes. Ela apenas observou, imóvel, enquanto o beijo terminava e eles riam, trocando carícias. O anel no dedo de Lucas brilhava sob a luz. O mesmo anel que ele jurara amar para sempre. Isabela sentiu o chão sumir, mas algo dentro dela se recusou a desmoronar. Com passos firmes, atravessou o salão. As pessoas ao redor pareciam congeladas. Ela parou diante da mesa. Lucas ergueu os olhos, surpreso. 'Isabela? O que você está fazendo aqui?' Ele soltou a mão de Camila, mas não se levantou. Camila, por sua vez, esboçou um sorriso debochado. Isabela olhou nos olhos dele, sentindo o gosto amargo da traição. 'Hoje é nosso aniversário de casamento, Lucas. Você esqueceu?' Ele bufou, irritado. 'Isso não é hora nem lugar para essa conversa.' Mas Isabela não recuou. 'Eu vi o beijo. Eu vi vocês dois. Quero saber há quanto tempo isso dura.' Lucas riu, um riso seco e cruel. 'Você quer saber? Tudo bem. Faz meses. Camila é minha sócia, minha parceira de verdade. Você é só uma dona de casa que não tem nada a oferecer além de jantar pronto e roupa lavada.' As palavras cortaram como facas. Camila acrescentou, com veneno: 'Ele precisa de alguém à altura, Isabela. Alguém que entenda de negócios, não de novelas.' Isabela sentiu o sangue ferver. 'Você me usou. Eu abri mão da minha faculdade para você abrir sua empresa. Eu trabalhei, me sacrifiquei, acreditei em você.' Lucas deu de ombros. 'Você escolheu isso. Ninguém te obrigou. Agora vai embora antes que eu chame a segurança.' O silêncio ao redor era absoluto. Isabela olhou para as pessoas que a observavam, alguns com pena, outros com curiosidade. Ela sentiu a humilhação queimar, mas também uma força estranha. 'Você não vai me destruir, Lucas. Eu não sou invisível. Eu só estava cega.' Ela tirou o anel de casamento e o colocou sobre a mesa, diante dele. 'Acabou. Eu não aceito mais ser tratada assim.' Virou-se e saiu, com a cabeça erguida, mesmo com as pernas tremendo. Atrás dela, ouviu a risada de Camila e a voz de Lucas: 'Ela volta. Sempre volta.' Mas Isabela sabia que não voltaria. Do lado de fora, o ar frio da noite a atingiu em cheio. Isabela apoiou-se na parede do restaurante, tentando conter as lágrimas. Mas elas vieram, quentes e abundantes. Ela pensou em todos os anos de dedicação, em todas as vezes que deixou seus próprios sonhos de lado para apoiar Lucas. Lembrou-se da avó, Dona Helena, que sempre dizia: 'Minha filha, você vale mais do que imagina. Não deixe ninguém te convencer do contrário.' Isabela sempre achou que era apenas um conselho de avó. Agora, aquelas palavras ecoavam com outra força. Ela respirou fundo, enxugou o rosto e decidiu: não voltaria para casa naquela noite. Não dormiria na cama que dividia com um homem que a traía. Pegou o celular para chamar um aplicativo, mas antes, olhou para o restaurante. Através do vidro, viu Lucas e Camila rindo, brindando. Sentiu nojo. Entrou no carro e deu o endereço da casa da avó, que ficava vazia desde a morte dela. Era um lugar pequeno, no interior, mas tinha boas lembranças. Durante a viagem, Isabela ficou em silêncio, processando tudo. Ao chegar, a casa estava escura e empoeirada. Ela acendeu as luzes, sentindo o cheiro de mofo e saudade. Sentou-se no sofá, exausta. Precisava de um tempo para pensar. Começou a andar pela casa, tocando os móveis antigos. No quarto da avó, um armário velho chamou sua atenção. Ela puxou a porta, que rangeu. Roupas antigas, caixas de fotografias. E então, atrás de uma pilha de lençóis, algo caiu no chão. Isabela se abaixou para pegar o objeto. Era um envelope amarelado, com o timbre de um escritório de advocacia. O nome de sua avó estava escrito à mão, em tinta desbotada. O coração de Isabela acelerou. Ao chegar em casa, ela encontra uma carta antiga da avó caída atrás do armário, com o timbre de um escritório de advocacia.
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