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📖 O Dia em que Descobri que Era Herdeira

A Primeira Mentira de Lucas

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Isabela ficou paralisada ao ver Lucas do outro lado da rua, seu sorriso frio como uma lâmina. Ele não fez menção de atravessar, apenas a observou com uma intensidade que a fez sentir um arrepio na espinha. Ela sabia que precisava agir rápido, mas seu corpo não respondia. A bolsa pesava em seus ombros, contendo os documentos que poderiam mudar sua vida. Tomando coragem, ela desviou o olhar e começou a andar em direção ao ponto de ônibus, mas cada passo parecia um desafio. Lucas permaneceu imóvel, como se esperasse algo. Quando ela finalmente chegou à esquina, virou-se e o viu entrar em um carro preto, que partiu lentamente. Isabela respirou aliviada, mas sabia que aquilo não era o fim. Ela precisava voltar para casa, enfrentar Lucas e recuperar o controle. Com determinação renovada, ela pegou o ônibus de volta para o apartamento, pronta para o confronto. Ao chegar ao apartamento, Isabela encontrou Lucas sentado no sofá da sala, com uma expressão de arrependimento que ela não via há meses. Ele se levantou e se aproximou, estendendo as mãos em um gesto de súplica. "Isabela, eu sei que errei. Eu estava cego, obcecado pelo trabalho. Mas eu te amo, e quero consertar as coisas." Isabela sentiu o estômago embrulhar, mas manteve a calma. Ela precisava ganhar tempo. "Eu também quero, Lucas. Mas preciso de um tempo para pensar." Ele sorriu, aliviado, e sugeriu que ela descansasse. Isabela foi para o quarto, mas em vez de descansar, começou a vasculhar os pertences de Lucas em busca de provas de suas traições. Ela encontrou uma pasta escondida no fundo do guarda-roupa, com documentos que mostravam transferências de dinheiro para contas no exterior. Antes que pudesse examinar melhor, ouviu passos se aproximando. Ela escondeu a pasta na bolsa e fingiu estar arrumando as roupas. Lucas entrou, com um sorriso que não alcançava seus olhos. "Preciso que você fale com um amigo meu, um psiquiatra. Ele pode te ajudar com a ansiedade." Isabela desconfiou, mas concordou, vendo uma oportunidade. O psiquiatra chegou uma hora depois, um homem de meia-idade com óculos grossos. Lucas o apresentou como Dr. Carlos. O médico começou a fazer perguntas sobre o estado emocional de Isabela, mas ela percebeu que ele não estava realmente avaliando, apenas seguindo um roteiro. Quando ele pediu para ela assinar um documento que atestava sua instabilidade mental, Isabela se recusou. "Eu não vou assinar isso. Eu não sou instável." O psiquiatra hesitou, olhando para Lucas, que fez um gesto impaciente. "Doutor, ela está confusa. Precisa de tratamento." Mas o médico balançou a cabeça. "Não posso assinar um laudo sem uma avaliação completa. Isso seria antiético." Lucas ficou furioso, e Isabela aproveitou a distração para ligar o gravador do celular que havia escondido. "Você está me pressionando para assinar um laudo falso?" perguntou ela, em voz alta. Lucas se virou para ela, com os olhos flamejantes. "Você não entende, Isabela. Você está doente. Precisa de ajuda." O psiquiatra se desculpou e foi embora, deixando os dois a sós. Lucas avançou em direção a Isabela, com uma fúria que ela nunca tinha visto. "O que você está fazendo?" gritou ele. Isabela recuou, mas manteve a calma. "Eu gravei tudo, Lucas. Se você tentar algo, eu entrego para a polícia." Lucas riu, mas era um riso sem humor. "Você acha que alguém vai acreditar em você? Você é apenas uma dona de casa histérica." Ele se aproximou mais, e Isabela sentiu o medo subir, mas se manteve firme. "Eu tenho provas, Lucas. E não vou deixar você me destruir." Lucas parou a poucos centímetros de Isabela, seu hálito quente contra o rosto dela. "Você não sabe com quem está lidando, Isabela. Eu fiz tudo por você. Abandonei meus sonhos para te sustentar. E é assim que você me paga?" Isabela sentiu uma onda de raiva. "Me sustentar? Você me controlava, me isolava, me fazia sentir inútil. Isso não é amor, Lucas. É abuso." Lucas recuou, como se tivesse levado um tapa. "Abuso? Você está louca. Eu sempre te dei tudo." Isabela balançou a cabeça, segurando a bolsa com força. "Não, Lucas. Você me tirou tudo. Minha autoestima, meus amigos, minha família. Mas isso acabou. Eu vou embora." Ela se virou para a porta, mas Lucas foi mais rápido, bloqueando a passagem. "Você não vai a lugar nenhum. Não enquanto eu não tiver certeza de que você está bem." Isabela percebeu que ele estava usando a preocupação como desculpa para prendê-la. "Eu estou bem, Lucas. Só preciso de espaço." Mas ele não cedeu. "Não posso deixar você ir. Você está doente, precisa de tratamento." Isabela sabia que discutir não adiantaria. Ela precisava de um plano. "Tudo bem, Lucas. Fico mais um tempo. Mas quero dormir no quarto de hóspedes." Lucas hesitou, mas concordou. Isabela subiu as escadas, sentindo o peso da situação. Ela tinha a gravação, mas precisava de uma chance de escapar. No quarto, ela trancou a porta e começou a pensar. Ela não tinha celular, mas tinha os documentos e a gravação. Ela precisava encontrar uma maneira de sair dali sem levantar suspeitas. De repente, ouviu passos no corredor. Lucas batia na porta. "Isabela, abre a porta. Precisamos conversar." Isabela não respondeu. Ela sabia que a qualquer momento ele poderia arrombar a porta. Ela olhou ao redor, procurando algo que pudesse usar como arma. Encontrou um peso de papel na escrivaninha. Ela o segurou, pronta para se defender. Mas Lucas não tentou entrar. Em vez disso, ela ouviu o som de chaves sendo giradas na fechadura. Então, o silêncio. Isabela foi até a porta e tentou abrir, mas estava trancada por fora. Ela estava presa. Isabela correu até a janela, mas o apartamento ficava no décimo andar. Ela estava encurralada. O coração batia acelerado, e a respiração ficou ofegante. Ela precisava pensar. Lucas tinha confiscado suas chaves, mas ela ainda tinha a bolsa com os documentos. Ela se sentou no chão, tentando controlar o pânico. De repente, ouviu o som da porta da frente se abrindo e fechando. Passos se aproximaram do quarto. A chave girou na fechadura novamente. Lucas tranca a porta do apartamento e confisca as chaves de Isabela, mantendo-a em cárcere privado.
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