📖 Depois do Divórcio, Ela Brilhou
A Entrevista
Isabela anotou o nome do fornecedor que Camila visitara, sentindo um aperto no peito. A imagem da prima sorrindo com aquele homem, enquanto conversavam animadamente, não saía de sua cabeça. Ela sabia que Camila era capaz de sabotar seus ingredientes, mas precisava de provas. Guardou o papel no bolso do avental e respirou fundo, lembrando-se de que tinha uma confeitaria para montar e uma inauguração para preparar.
As entrevistas para contratar novas funcionárias estavam marcadas para aquela manhã, e ela não podia se distrair. Enquanto organizava as mesas e as cadeiras na área da frente, o cheiro de pão de queijo ainda pairava no ar, um lembrete do progresso que já havia feito. Ela não deixaria Marcos ou Camila destruírem seu sonho. A primeira candidata era uma moça jovem, com pouca experiência, mas cheia de vontade.
Isabela sorriu, mas sabia que precisava de alguém mais experiente para ajudar na produção. A segunda, uma senhora de meia-idade, tinha boas referências, mas parecia nervosa. Isabela agradeceu e pediu que aguardasse. Quando Dona Lúcia entrou, Isabela sentiu uma energia diferente.
A senhora, de cabelos grisalhos e olhos cansados, cumprimentou-a com um sorriso tímido. "Sou Dona Lúcia, morei aqui na Freguesia do Ó a vida toda. Conheci sua avó, dona Therezinha. Ela me ensinou a fazer pão de queijo quando eu era jovem." Isabela sentiu um arrepio.
"Minha avó?" "Sim, ela era uma mulher incrível. Ajudou muitas mulheres da comunidade, dando receitas e conselhos. Eu nunca esqueci." Isabela se emocionou, sentindo uma conexão imediata com aquela senhora. "Dona Lúcia, a senhora está contratada." A senhora sorriu, aliviada.
"Muito obrigada, minha filha. Vou dar o meu melhor." Nesse momento, o celular de Isabela vibrou. Era uma mensagem de Marcos: "Registrei a marca 'Confeitaria Oliveira' em meu nome. Você não vai usar esse nome." Isabela sentiu o sangue ferver.
Ela olhou para Dona Lúcia, que percebeu sua expressão. "Tudo bem, minha filha?" Isabela forçou um sorriso. "Sim, só um problema com o fornecedor. Vou resolver." Mas por dentro, ela sabia que aquilo era uma declaração de guerra.
Ela não deixaria Marcos vencer. Isabela respirou fundo, tentando controlar a raiva. Ela não podia deixar Marcos abalar sua confiança. Olhou para Dona Lúcia, que a observava com atenção.
"Dona Lúcia, a senhora conheceu minha avó. Como ela lidava com os problemas?" A senhora sorriu, com sabedoria. "Sua avó era forte, mas também sabia pedir ajuda. Ela dizia que uma mulher sozinha é como um grão de feijão, mas juntas, somos uma panela cheia." Isabela sentiu as palavras tocarem seu coração.
"Obrigada, Dona Lúcia. Preciso de ajuda para montar uma equipe. Vou criar um programa de capacitação para mulheres da comunidade, em homenagem à minha avó. A senhora pode me ajudar a começar?" Dona Lúcia sorriu, com os olhos brilhando.
"Seria uma honra, minha filha." Naquele momento, Rafael entrou, vindo da cozinha, onde supervisionava a instalação. Ele viu Isabela e Dona Lúcia conversando e sentiu admiração pela forma como Isabela se conectava com as pessoas. "Parece que as coisas estão indo bem", disse ele, aproximando-se. Isabela sorriu, sentindo-se mais forte.
"Sim, estou montando uma equipe maravilhosa." Rafael olhou para ela, com um brilho nos olhos. "Você está fazendo um ótimo trabalho, Isabela." Ela se sentiu corar, mas logo se lembrou do problema com a marca. "Preciso resolver uma coisa, mas depois quero te mostrar um projeto." Rafael assentiu, curioso. Depois de encerrar as entrevistas e contratar Dona Lúcia, Isabela sentiu que precisava de um momento para processar tudo.
Rafael, percebendo seu estado, ofereceu: "Quer dar uma volta? Conheço um lugar que pode te inspirar." Isabela hesitou, mas a ideia de sair dali, nem que fosse por um instante, parecia tentadora. "Vamos", disse ela. Rafael a levou para Paraisópolis, uma comunidade vibrante, cheia de vida e histórias.
Isabela observou as ruas movimentadas, as crianças brincando, os comerciantes trabalhando. Rafael explicou seu projeto de habitação social, mostrando como a arquitetura podia transformar vidas. Isabela se emocionou ao ver o impacto do trabalho dele. "Isso é incrível, Rafael.
Você está fazendo a diferença." Ele sorriu, modesto. "É um trabalho em equipe. A comunidade é quem decide." Isabela sentiu uma nova inspiração. Ela queria fazer algo parecido com sua confeitaria, criar um espaço que acolhesse e empoderasse mulheres.
Rafael a leva para Paraisópolis, onde ela vê o impacto de seu trabalho social e se emociona.






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