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📖 Depois do Divórcio, Ela Brilhou

O Batom Vermelho

619 words

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O batom vermelho estava ali, no porta-luvas do carro de Marcos, como uma acusação silenciosa. Isabela nunca usara aquela cor. Seus lábios sempre foram discretos, rosados, do jeito que ele preferia. O coração disparou, e uma onda de calor subiu pelo peito. Ela olhou para o relógio: oito horas da noite, o aniversário de casamento. Marcos dissera que teria uma reunião de última hora. Mas o batom, o cheiro de perfume estranho no banco do passageiro, e a mensagem no celular que vibrou com o nome de Camila, sua prima, contavam outra história. Isabela respirou fundo, ligou o carro e seguiu o rastro do marido até um restaurante na Zona Sul. A noite que começara com um jantar de celebração se transformava em um campo de batalha. Isabela estacionou em frente ao restaurante e viu, através da janela, Marcos e Camila sentados à mesa, de mãos dadas. Ele ria, tocava o rosto dela, e Isabela sentiu o chão sumir. Mas, em vez de desmoronar, uma fúria fria tomou conta dela. Ela entrou, ignorou o maître, e caminhou até a mesa. 'Marcos', disse, com a voz firme, apesar do tremor interno. Ele ergueu os olhos, surpreso, e tentou sorrir. 'Amor, que surpresa! Estava justamente falando de você.' Camila ficou pálida, mas não soltou a mão dele. 'De mim? Ou da minha herança?', Isabela respondeu, e a mesa ao lado começou a prestar atenção. Marcos se levantou, tentando contê-la. 'Vamos conversar lá fora, você está fazendo uma cena.' 'Uma cena?', ela repetiu, com um riso amargo. 'Você está com a minha prima, no nosso aniversário de casamento, e eu é que estou fazendo cena?' Ela se virou para Camila, que desviou o olhar. 'Camila, você cresceu comigo, te ajudei a pagar a faculdade...' Camila murmurou algo, mas Marcos a interrompeu. 'Isabela, você está sendo paranoica, isso não é nada.' 'Nada?', ela gritou, e o restaurante inteiro ficou em silêncio. 'Isso é o fim. Eu quero o divórcio.' Ela tirou a aliança e a colocou na mesa, diante dele. 'Acabou, Marcos. Você não vai mais me manipular.' E, sem olhar para trás, ela saiu, sentindo uma mistura de dor e liberdade. No carro, Isabela deixou as lágrimas caírem, mas eram lágrimas de raiva, não de fraqueza. Ela lembrou de todos os sacrifícios que fez por aquele casamento: abandonou o sonho de ter sua própria padaria, aceitou as críticas dele sobre seu corpo, sua família, sua origem. Ele a fez acreditar que ela não era boa o suficiente. Mas agora, ela via tudo com clareza. Ela não era a esposa submissa que ele queria. Ela era Isabela, a neta de uma mulher que fazia os melhores pães de queijo da Zona Norte, a filha de um homem que sempre a apoiou, a mulher que tinha valor próprio. Ela ligou para o pai, que atendeu com preocupação. 'Pai, eu vou me divorciar.' Houve um silêncio, e então ele disse: 'Eu sempre soube que você era mais forte do que pensava. Estou orgulhoso de você.' A mãe, Dona Célia, quando soube, tentou convencê-la a voltar atrás, mas Isabela foi firme. 'Mãe, eu não sou você. Eu não vou aguentar calada.' Ela desligou o telefone e sentiu um peso sair dos ombros. Ela não sabia o que viria, mas sabia que não voltaria atrás. Ao chegar em casa, Isabela foi direto ao escritório para pegar os documentos do banco. Ela precisava ver quanto tinha na conta conjunta para começar a separação. Mas, ao abrir o aplicativo no celular, o saldo mostrava zero. Ela tentou acessar o cartão de crédito, mas a mensagem dizia 'bloqueado'. Ao chegar em casa, Isabela descobre que a conta bancária conjunta está zerada e o cartão de crédito bloqueado.
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