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📖 Depois do Divórcio, Ela Brilhou

A Medida Protetiva

792 words

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A noite caía sobre a Freguesia do Ó quando Isabela, ainda com o coração acelerado pela visita inesperada de Camila, sentou-se à mesa da cozinha de seus pais. As palavras da prima ecoavam em sua mente: 'Marcos sempre teve um cartão de crédito secreto para emergências.' Ela pegou o celular e, com dedos trêmulos, acessou o aplicativo do banco. Não era a conta conjunta, mas uma que ela nunca soubera existir. Ali estavam os extratos: transferências para uma conta em nome de Camila, pagamentos de uma viagem para o exterior, e uma reserva de dinheiro que ele planejava usar para fugir. Isabela sentiu um misto de raiva e alívio. Ela tinha a prova de que precisava. Levantou-se e pegou o casaco, decidida a ir à delegacia imediatamente. Mas antes, ligou para sua advogada, Dra. Fernanda, que atendeu no segundo toque. 'Preciso de uma medida protetiva com urgência', disse Isabela, a voz firme apesar do medo. 'Ele está planejando fugir com o dinheiro que roubou de mim.' Na manhã seguinte, Isabela estava no escritório de Dra. Fernanda, apresentando as novas provas. A advogada, uma mulher de meia-idade com olhar atento, analisou os extratos e balançou a cabeça. 'Isso é o suficiente para uma medida protetiva de urgência', disse ela, começando a redigir os documentos. 'Com isso, você pode congelar o cartão secreto e impedir que ele saia do país.' Isabela sentiu um alívio imenso, mas sabia que a batalha ainda não estava vencida. Elas foram ao fórum e, graças à urgência, conseguiram a medida protetiva no mesmo dia. Com o papel em mãos, Isabela foi ao banco e congelou o cartão, bloqueando qualquer transação. Ela saiu de lá sentindo-se mais forte, mas sabia que Marcos não aceitaria isso passivamente. De fato, horas depois, uma viatura parou em frente à casa de seus pais. Marcos saltou do carro, o rosto vermelho de raiva, e começou a gritar no meio da rua. 'Isabela! Sua ladra! Você roubou meu dinheiro!' Os vizinhos se aglomeraram, curiosos. Seu Antônio, que estava na varanda, desceu as escadas rapidamente, o corpo tenso. 'Você não tem o direito de vir aqui fazer escândalo, Marcos!', disse ele, com a voz grave. Mas Marcos não se intimidou. 'Ela é uma mentirosa! Sempre foi! Está tentando me destruir!' Ele apontou para Isabela, que estava parada na porta, pálida. 'Você vai pagar por isso!' Seu Antônio, então, colocou-se na frente da filha, com os punhos cerrados. 'Chega! Você não é bem-vindo nesta casa. Saia agora, ou chamo a polícia!' Marcos riu, mas recuou. 'Isso não vai ficar assim', ameaçou, antes de entrar no carro e ir embora. Isabela sentiu as pernas fraquejarem, mas o pai a amparou. 'Ele não vai te machucar, minha filha. Eu prometo.' A cena na rua deixou Isabela envergonhada. Ela sempre prezou pela discrição, e agora todos os vizinhos sabiam de sua vida pessoal. Mas o apoio incondicional do pai foi um bálsamo. Seu Antônio a abraçou, e ela sentiu as lágrimas quentes escorrerem pelo rosto. 'Pai, eu sinto muito por todo esse escândalo', murmurou ela. Ele afastou o rosto dela e olhou em seus olhos. 'Você não tem nada para se desculpar. Ele é o errado. Eu sempre soube que ele não prestava, mas você precisava descobrir por si mesma.' Isabela sorriu, agradecida. Ela se sentia mais forte com o apoio do pai, mas a preocupação com a mãe a assombrava. Dona Célia, que estava na cozinha, ouvira tudo. Quando Isabela entrou, viu a mãe pálida, segurando o peito. 'Mãe, o que foi?' Isabela correu para o lado dela. 'É o coração...', Dona Célia mal conseguiu dizer antes de desmaiar. Isabela gritou por socorro, e Seu Antônio chamou a ambulância. No hospital, os médicos diagnosticaram uma crise de hipertensão, mas garantiram que ela estava fora de perigo. Isabela, sentada ao lado do leito, segurava a mão da mãe, sentindo-se culpada. 'Eu não queria que isso acontecesse', sussurrou. Dona Célia, ainda fraca, apertou sua mão. 'Não foi sua culpa, filha. Eu sempre me preocupei demais.' Isabela sabia que a mãe ainda não aceitava o divórcio, mas naquele momento, a única coisa que importava era a saúde dela. Enquanto Isabela observava a mãe dormir, seu celular vibrou. Era uma mensagem de Marcos: 'Você acha que me venceu? Isso não acabou. Você vai pagar por cada centavo que me fez perder.' Isabela sentiu um arrepio na espinha, mas guardou o celular. Ela não ia deixar que ele a amedrontasse. Ela tinha a medida protetiva, o apoio do pai e a certeza de que estava certa. Mas, ao mesmo tempo, sabia que Marcos não desistiria facilmente. Seu Antônio expulsa Marcos de casa e declara publicamente que apoia a filha, mas Dona Célia passa mal e é hospitalizada.
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