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📖 Depois do Divórcio, Ela Brilhou

A Primeira Noite Sozinha

953 words

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Isabela saiu do escritório de advocacia com a advertência da Dra. Fernanda ecoando em sua mente: o risco de perder a confeitaria é real. Ela apertou o extrato bancário dentro da bolsa, sentindo o papel amassar, e caminhou em direção ao metrô. Cada passo era uma decisão: não podia deixar que Marcos destruísse o que sua avó construiu. Precisava encontrar as provas do desfalque, e sabia que a resposta estava nos livros contábeis da confeitaria. Decidiu passar a noite em claro lá, revisando cada número, cada nota fiscal, cada movimento. Ao chegar, a rua estava deserta, e a fachada da Confeitaria Oliveira parecia um porto seguro em meio à tempestade. Ela destrancou a porta, acendeu as luzes e sentiu o cheiro de baunilha e café que sempre a acalmava. Mas a calma durou pouco: ao abrir o escritório nos fundos, encontrou seu pai, Seu Antônio, sentado à mesa, com os olhos vermelhos de choro. — Pai? O que você está fazendo aqui a essa hora? — Isabela perguntou, surpresa. Seu Antônio levantou a cabeça, e ela viu a dor estampada no rosto dele. — Não consegui dormir. Fiquei pensando em você, na confeitaria... — Ele limpou as lágrimas com as costas da mão. — Eu sabia que você viria aqui. Sempre foi assim, desde pequena. Quando estava triste, se escondia entre os sacos de farinha. Isabela sentou ao lado dele, e ele a abraçou com força. — Você sempre foi a verdadeira herdeira, minha filha. Não deixe que ninguém tire isso de você. Ela sentiu o apoio do pai, mas sabia que precisava de mais do que palavras. — Pai, preciso de ajuda. Preciso encontrar um contador forense para provar o desfalque. Seu Antônio assentiu, mas seu olhar ficou sombrio. — Antes disso, você precisa saber de uma coisa. Sua mãe... Dona Célia está do lado de Marcos. Ela acha que você está exagerando, que deveria dar uma segunda chance ao casamento. E pior: ela pode depor contra você no tribunal. Isabela sentiu o chão se abrir novamente. — Como assim? Ela é minha mãe! — Ela sempre acreditou que mulher deve aguentar tudo para manter o casamento. E Marcos a convenceu de que você está passando por uma crise, que precisa de ajuda psicológica. Isabela apertou os punhos, sentindo a raiva e a mágoa se misturarem. — Não posso acreditar. Ela está me traindo também. Seu Antônio segurou as mãos dela. — Eu sei, filha. Mas você é mais forte do que ela pensa. Vamos encontrar esse contador, e vamos provar que Marcos é um ladrão. Isabela respirou fundo, sentindo a determinação crescer. — Sim. Vamos fazer isso. Mas primeiro, preciso revisar esses livros. Ela passou a madrugada ao lado do pai, analisando cada lançamento, cada nota fiscal, cada transferência. Encontrou várias irregularidades, mas nada que fosse conclusivo. A cada hora, a pressão aumentava, e a ameaça de perder a confeitaria parecia mais real. Ao amanhecer, Isabela estava exausta, mas sentia uma força nova. Ela olhou para o pai, que também estava cansado, mas com um sorriso de esperança no rosto. — Vamos conseguir, filha. Eu sei que vamos. Isabela abraçou-o, sentindo o amor e o apoio que sempre soube que existiam, mas que raramente eram expressos. — Obrigada, pai. Você não sabe o quanto isso significa para mim. Seu Antônio afagou seus cabelos. — Você sempre foi minha menina corajosa. Nunca duvide disso. E sobre sua mãe... ela vai acordar para a verdade, uma hora. Mas não deixe que isso a derrube. Isabela assentiu, sentindo as lágrimas ameaçarem cair, mas as conteve. — Eu não vou deixar. Ela olhou para os livros contábeis e teve uma ideia. — Pai, você se lembra daquele caderno que a vó usava para anotar as receitas? Seu Antônio franziu a testa. — Sim, por quê? — Ela sempre dizia que anotava tudo, inclusive os segredos da família. Talvez haja algo lá que possa nos ajudar. Seu Antônio sorriu, compreendendo. — Você é mais esperta do que Marcos imagina. Vamos procurar. Eles passaram os próximos minutos vasculhando a cozinha, até encontrarem o caderno antigo, escondido em uma gaveta. Isabela folheou as páginas amareladas, cheirando a baunilha e memórias. No final, encontrou uma anotação sobre um cofre na parede, atrás de um quadro. — Pai, olha isso! Seu Antônio arregalou os olhos. — Sua avó nunca me contou sobre isso. Eles removeram o quadro e encontraram um pequeno cofre. Isabela tentou algumas combinações, até que a porta se abriu. Dentro, havia documentos antigos, fotos e um envelope lacrado. Isabela abriu o envelope e encontrou uma carta da avó, explicando que havia guardado provas de um empréstimo que Marcos havia feito usando a confeitaria como garantia, sem o conhecimento de ninguém. — Isso é tudo o que precisávamos! — Isabela exclamou, sentindo a esperança renascer. Seu Antônio sorriu, orgulhoso. — Sua avó sempre foi à frente do tempo. Ela sabia que algo assim poderia acontecer. Isabela guardou a carta e os documentos com cuidado. — Agora, vamos contratar esse contador forense. E vamos mostrar a todos que não se deve mexer com a família Oliveira. Isabela sentiu o peso da noite nos ombros, mas também uma determinação renovada. Ela guardou os documentos no envelope e o colocou dentro da bolsa, ao lado do extrato bancário. O sol começava a nascer, iluminando a rua e trazendo uma sensação de recomeço. Ela olhou para o pai, que parecia mais aliviado. — Vamos para casa, filha. Você precisa descansar. Isabela concordou, mas antes de sair, pegou o celular para ver as horas. Foi quando viu uma mensagem de um número desconhecido. O coração acelerou ao ler o nome do remetente: Rafael Costa. Ela franziu a testa, sem entender como ele tinha seu número, mas a mensagem era clara: Ao amanhecer, Isabela recebe uma mensagem de Rafael, que soube do divórcio e oferece ajuda com a reforma da confeitaria.
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