📖 Depois do Divórcio, Ela Brilhou
O Forno Novo
O forno novo chegou naquela tarde, uma enorme caixa de metal que prometia revolucionar a produção da Confeitaria Oliveira. Isabela mal teve tempo de comemorar, pois o mestre de obras, Seu Jorge, balançou a cabeça com preocupação. "Dona Isabela, a instalação elétrica daqui não vai aguentar esse forno. Se ligar, vai derrubar a energia do quarteirão inteiro." Isabela sentiu o chão se abrir.
Ela já tinha planejado a inauguração para a semana seguinte, e a ideia do evento beneficente que Rafael havia sugerido estava ganhando forma. Mas sem o forno, nada seria possível. Ela olhou para o forno, imponente, e depois para o quadro elétrico, antigo e frágil. "E o que a gente precisa fazer?", perguntou, tentando manter a calma.
Seu Jorge coçou a cabeça. "Vai precisar trocar toda a fiação, e isso custa caro. Sem contar que vai levar uns dias." Isabela mordeu o lábio, pensando no orçamento apertado. Ela já tinha gasto quase tudo na reforma e nos ingredientes.
Mas desistir não era uma opção. "Quanto?", perguntou, decidida. Seu Jorge disse um valor que fez Isabela engasgar. Era quase o que ela tinha reservado para os próximos meses.
Ela não podia adiar a inauguração, pois a comunidade já estava mobilizada para o evento beneficente. Mas também não podia comprometer a qualidade do que serviria. "Vou dar um jeito", disse ela, mais para si mesma do que para ele. Naquela noite, ela ligou para o pai, Seu Antônio, e explicou a situação.
Ele ouviu em silêncio, depois disse: "Filha, eu tenho um dinheiro guardado. Pode usar." Isabela sentiu um alívio imenso, mas também uma pontada de culpa. "Pai, eu pago de volta, prometo." "Sei que vai", respondeu ele, com a voz carregada de confiança. No dia seguinte, Marcos, que ainda tinha acesso a algumas contas, descobriu o empréstimo.
Ele apareceu na casa de Seu Antônio, tentando convencê-lo a não ajudar Isabela. "Ela vai quebrar a cara, Seu Antônio. Isso é um buraco sem fundo. A senhora não devia incentivar essa loucura." Mas Seu Antônio, que sempre apoiara a filha, foi firme: "Marcos, você já fez o suficiente.
Isabela é minha filha, e eu confio nela. Se você não tem mais nada a fazer, vá cuidar da sua vida." Marcos saiu furioso, mas Isabela não ficou sabendo disso até mais tarde. Com o dinheiro garantido, ela contratou um eletricista e a obra começou. Enquanto isso, ela continuava a preparar as receitas, com a ajuda de Rafael, que aparecia sempre que podia.
A tensão era grande, mas a determinação de Isabela era maior. Rafael, vendo a preocupação de Isabela com o prazo, sugeriu uma solução criativa. "E se a gente usar o forno antigo para alguns itens e o novo para outros? A gente pode dividir a produção, otimizar o tempo." Isabela olhou para ele, surpresa.
"Mas o forno antigo é pequeno, não vai dar conta de tudo." "A gente pode fazer um rodízio, usar o antigo para os pães de queijo e o novo para os bolos. Com um bom planejamento, dá para conciliar." Isabela pensou, e percebeu que ele tinha razão. Juntos, eles reorganizaram a cozinha, testaram os tempos e criaram um fluxo de trabalho eficiente. Quando o eletricista terminou, o forno novo foi instalado e testado.
O cheiro de pão de queijo invadiu o ambiente, e Isabela sentiu uma onda de orgulho. "Conseguimos", disse ela, com um sorriso. Rafael sorriu de volta. "Eu sabia que você ia dar um jeito." Isabela percebeu que cada obstáculo a fortalecia, e que ter aliados como Rafael fazia toda a diferença.
Ela se sentia mais confiante, mais dona do próprio destino. A inauguração estava próxima, e ela estava pronta. Enquanto Isabela organizava os ingredientes para o dia seguinte, ela viu uma figura familiar do outro lado da rua. Era Camila, sua prima, conversando animadamente com um dos fornecedores de ingredientes.
Isabela franziu a testa, estranhando a presença dela ali. Camila é vista conversando com um fornecedor de ingredientes, e Isabela suspeita de sabotagem nos insumos.






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