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📖 Depois do Divórcio, Ela Brilhou

A Reforma Começa

780 words

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A manhã do décimo dia amanheceu clara, e Isabela sentiu um peso diferente ao acordar. A medida protetiva estava em vigor, e a audiência de separação havia sido favorável. Ela agora tinha a posse legal da confeitaria Oliveira. Era um passo concreto, uma vitória que precisava ser celebrada, mas também um chamado à ação. Com o coração acelerado, ela vestiu uma roupa simples de trabalho e seguiu para a Freguesia do Ó. O sol entrava pelas janelas do ponto, revelando cada rachadura, cada mancha de gordura, cada lembrança de um casamento que ela queria deixar para trás. Mas, em vez de desânimo, sentiu uma onda de determinação. Aquela reforma não era apenas uma obra; era a reconstrução da sua própria vida. Ela mesma abriria as portas, lideraria a equipe, e cada tijolo assentado seria um tijolo a menos no muro que Marcos tentara erguer ao redor dela. Isabela chegou à confeitaria e encontrou a equipe de obras já reunida, liderada por Rafael, que a esperava com plantas na mão. 'Bom dia, Isabela. Pronta para começar?' Ele sorriu, e ela retribuiu, sentindo uma energia nova. 'Mais do que nunca.' Ela assumiu a liderança, explicando cada detalhe: queria que o balcão fosse de madeira clara, que as prateleiras expusessem os doces como joias, que a cozinha tivesse espaço para os aprendizes. Rafael anotava tudo, sugerindo ajustes, e Isabela se sentia renascendo a cada decisão. Enquanto os operários começavam a demolir uma parede, ela notou um movimento estranho na rua. Uma mulher de cabelos loiros, óculos escuros, discretamente fotografava a fachada com o celular. Isabela franziu a testa, reconhecendo a silhueta. Camila. Sua prima. A amante de Marcos. O coração disparou, mas ela não se deixou abalar. 'Rafael, você viu aquela mulher?' Ele olhou, mas a figura já se afastava. 'Não vi direito. Por quê?' Isabela respirou fundo. 'Acho que é minha prima. Ela está com Marcos.' Rafael a encarou com preocupação. 'Você quer que eu chame a polícia?' Isabela balançou a cabeça. 'Não. Deixa. Se ela quer fotos, que tire. Não temos nada a esconder.' Mas por dentro, a suspeita a corroía. Ela sabia que Marcos não desistiria tão fácil. A reforma continuou, mas Isabela ficou alerta, cada ruído a fazendo olhar para a porta. No meio da tarde, enquanto os operários faziam uma pausa, Rafael decidiu inspecionar o porão da confeitaria, um espaço úmido e escuro que Isabela raramente visitava. 'Vou verificar as condições da fundação', explicou ele, descendo as escadas de madeira. Isabela o seguiu, curiosa. O porão estava cheio de caixas empoeiradas, móveis velhos e utensílios quebrados. Rafael acendeu a lanterna do celular, iluminando os cantos. 'Aqui parece sólido, mas precisamos de uma boa limpeza.' Ele se abaixou para examinar uma viga, e foi então que seus olhos encontraram uma caixa de sapatos antiga, escondida atrás de uma pilha de tábuas. Curioso, ele a abriu. Dentro, havia fotografias amareladas, algumas com data de mais de vinte anos. Rafael congelou ao ver uma delas: uma mulher jovem, sorridente, segurando uma criança no colo. Ele reconheceu a mulher imediatamente. Era sua mãe, dona Maria, que trabalhara como doméstica na casa dos Oliveira. E a criança... era Isabela, com seus cachos e olhos curiosos. Rafael sentiu um aperto no peito. Ele nunca soubera que sua mãe e Isabela haviam sido próximas. Por que sua mãe nunca lhe contara? Ele olhou para Isabela, que estava ao seu lado, e a emoção o impediu de falar. Isabela, percebendo sua expressão, perguntou: 'O que você encontrou?' Rafael hesitou, mas decidiu mostrar a foto. 'Isabela... esta é minha mãe. E você, pequena.' Isabela arregalou os olhos, pegando a foto com mãos trêmulas. 'Sua mãe? A Maria? Ela trabalhava para minha avó...' Ela olhou para Rafael, e uma nova compreensão surgiu entre eles, um fio invisível que os ligava ao passado. Rafael guardou a foto no bolso, sentindo que precisava de tempo para processar aquela descoberta. Isabela, ainda atordoada, olhou para a caixa e viu outras imagens, mas Rafael fechou-a delicadamente. 'Acho melhor guardarmos isso para depois', disse ele, com a voz embargada. Isabela assentiu, sem saber o que dizer. Eles subiram as escadas em silêncio, cada um perdido em seus próprios pensamentos. A reforma continuou, mas o clima entre eles mudou, carregado de uma nova intimidade e de perguntas não feitas. Quando o dia terminou e os operários foram embora, Rafael se despediu, prometendo voltar no dia seguinte. Isabela ficou sozinha na confeitaria, olhando para a caixa que ele deixara sobre o balcão. Ela a abriu novamente, e uma foto caiu no chão. Rafael encontra uma caixa antiga no porão da confeitaria com fotos de sua mãe e de Isabela crianças, revelando uma conexão passada.
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